Nos últimos dias, Júlia basicamente fez o que lhe era mais confortável. Esforçou-se para manter o bom humor, sem nenhuma oscilação emocional.
O tempo voou e chegou o seu último dia. Júlia foi até o escritório do RH para concluir os trâmites da demissão.
A mulher do RH ainda tentou dificultar as coisas, com um tom e uma atitude terríveis. Júlia já estava preparada. Havia começado a providenciar todos os documentos e itens necessários para a saída havia muito tempo; naquele momento, jogou tudo na mesa da mulher, sem esquecer de nada.
— É suficiente?
No fim, forçada pelas regras da empresa, a mulher do RH concluiu a papelada a contragosto.
Ao sair do prédio do Grupo Campos, Júlia inspirou profundamente o ar de fora. O céu estava limpo, o ar fresco e puro. Havia muito tempo que ela não se sentia tão aliviada e relaxada.
Ao olhar para trás, contemplando o lugar onde dedicara três anos da sua juventude, Júlia não sentiu arrependimento. Sem medo do futuro, sem apego ao passado, ela estava apenas prestes a iniciar o próximo capítulo de sua vida.
Lucas acabara de sair de uma reunião, estava acendendo um cigarro e relaxando diante da janela do chão ao teto. De repente, uma silhueta familiar chamou a sua atenção. A aparência e o jeito eram muito semelhantes aos de Júlia. A única diferença é que ela estava mais magra que Júlia, muito parecida com a época da faculdade. Na mente de Lucas passou, num piscar de olhos, a imagem dela daquela época: quieta e contida, sempre com roupas brancas, frequentemente segurando um livro e caminhando atrás dele.
Lucas ficou observando-a por um momento. A pessoa carregava uma caixa nas mãos e, ao sair do prédio, pegou um táxi e foi direto embora. Pela aparência, devia ser uma demissão.
Ele chegou a suspeitar de que poderia ser Júlia, mas, ao ver a cena até o fim, descartou imediatamente esse palpite.
Como Júlia poderia se demitir? Ela seria capaz de deixar o Grupo Campos? A essa hora, devia estar quebrando a cabeça inventando uma desculpa para vir lhe implorar.
Lucas apagou a ponta do cigarro e não olhou mais.
Ela intencionalmente separou os novos erros que ela mesma cometera: — Estes dados experimentais e resultados simplesmente não batem; o experimento com certeza deu errado. Estas previsões também estão completamente fora da realidade, não servem de referência. E o cronograma e a coordenação de recursos... sério, não tem como dar andamento nisso.
Quanto mais Lucas ouvia, mais fundo ficava o vinco entre as suas sobrancelhas. Por fim, ele mesmo pegou o notebook das mãos de Valentina e começou a checar.
De fato, um verdadeiro caos, uma desordem completa.
Ele se levantou e discou diretamente para a secretária: — Diga à Júlia para vir à minha sala agora mesmo.
Alguns minutos depois, sem receber uma resposta, Lucas estava prestes a explodir de raiva quando a secretária bateu à porta e entrou, visivelmente apavorada: — Sr. Campos, a Júlia... ela se demitiu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Fui a Esposa de Fachada do Bilionário — Até Pedir o Divórcio e Ver Ele Perder o Controle