— Talvez seja para chamar a sua atenção. — Foi a única coisa que Valentina conseguiu pensar.
Lucas não disse nada, mas sua expressão deixava claro que ele concordava. — Tente não ter muito contato com ela daqui em diante.
— Eu sei — Valentina lembrou de outro assunto. — Lucas, ouvi dizer que a Virtus BioTech planeja investir em um novo projeto em Nova Alvorada e está procurando parceiros no momento.
Ela se aproximou de Lucas, manhosa: — Quando conseguirmos esse projeto, posso ser a responsável por ele?
A Virtus BioTech tinha uma excelente reputação em Porto Belo, em todo o país e até no mundo. Não apenas por seu capital robusto e por liderar os lucros do setor por anos a fio, mas também por possuir os melhores recursos e as mais novas tecnologias da indústria.
Quando Valentina estudava no exterior, ouvira o Professor Smith mencionar que a Virtus BioTech era o verdadeiro santuário para os pesquisadores da área de biologia.
Além disso, Valentina soube que o projeto que a Virtus estava lançando desta vez era voltado especificamente para a tecnologia de edição genética, o que, por acaso, coincidia com a linha de pesquisa do seu professor.
Se ela conseguisse pegar esse projeto e, mais tarde, obter bons resultados, poderia mostrar todo o seu talento diante do professor.
— Claro — Lucas a tranquilizou. — Se a Virtus quiser uma parceria, certamente procurará o Grupo Campos. E, no Grupo Campos, a pessoa mais adequada, sem dúvida, é você.
— E quanto à Júlia... — Valentina ainda estava um pouco apreensiva.
— Vamos ver como ela se comporta — disse Lucas com frieza. — Se ela estiver disposta a me implorar, posso arrumar algum servicinho para ela.
No lado da Virtus, Carlos Carvalho estava preparando o trabalho preliminar do projeto. Para esse empreendimento, ele precisava estar 120% focado; não podia haver margem para o menor erro. Afinal, o Sr. Tancredi participaria de todo o processo.
— Precisamos elaborar uma lista de fornecedores antecipadamente? — perguntou a Dante Tancredi.
— Espere ela chegar para decidir.
Esse "ela", é claro, referia-se a Júlia. Carlos entendeu na hora. O que eles estavam fazendo agora eram apenas trabalhos básicos e de pouca importância. Tudo o que envolvesse sigilo ou necessitasse de decisões reais, Dante exigia que aguardassem a entrada de Júlia na empresa para definir.
Heitor logo se aproximou e lhe entregou uma garrafa de café.
Júlia pegou, agradeceu e, naturalmente, começou a conversar com ele: — Na verdade, você não precisa ficar me acompanhando o tempo todo. Você pode muito bem ir para a pista avançada, assim será mais divertido para você.
— Assim também não tem nada de mau — respondeu Heitor.
Ao dizer isso, seu tom e sua expressão eram suaves, como se não se importasse com nada. Às vezes, Júlia também ficava curiosa, querendo saber se havia, de fato, algo neste mundo que pudesse abalar as emoções dele.
— Você sempre foi assim? — ela perguntou casualmente.
— Assim como? — Heitor não demonstrou impaciência.
— Assim como está agora. — Júlia o olhou de cima a baixo. — Parece que não se importa com nada. Sinceramente, eu adoraria saber, existe alguma coisa com a qual você realmente se importe?

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