Valentina foi a primeira a reagir. Ela parou as pontas dos dedos com que servia a bebida, e seu rosto rapidamente mostrou uma expressão de desgosto e raiva. Ela também tinha visto a Júlia de agora, e era fato que estava um pouco mais bonita que de costume, mas, comparada com ela, a diferença ainda era grande.
Ainda assim, não suportava ter a atenção que devia ser toda dela dividida. Antes fora Heitor, e agora era Rodrigo. Afinal, todos eles deveriam girar em torno dela.
Heitor, em contrapartida, mantinha uma feição indiferente, sem dar pistas do que pensava.
Enquanto Lucas observava-o cheio de curiosidade, com um sorrisinho malicioso no rosto.
Os olhares fixos deles provocaram constrangimento em Rodrigo, e a pergunta que Fábio lhe fizera era um absurdo, que não pôde evitar xingar: — Do que diabos você está falando? Você está cada vez mais sem noção.
Fábio levantou as mãos para cima, apontando que não queria dizer nenhum mal sobre ele, era algo direcionado de forma puramente estrita à Júlia. Para ele, Júlia nada mais era do que um sinônimo em que poderia debochar livremente de tudo que ele resolvesse experimentar. Além disso, pelo simples fato de se divertir, ele não ia precisar sofrer consequências.
Rodrigo deixou-o de lado, deu a volta em Fábio, aproximou-se de onde Lucas estava sentado, e ergueu uma taça de bebida: — Não ligue para o que ele falou. Ele sempre tem a língua solta.
Lucas deu um risinho descontraído. Entregando-lhe as frutas cortadas, repassou para Valentina e respondeu: — O impacto que ela tem sobre mim nem chega perto disso.
— Hum — Rodrigo bebeu de sua bebida em um gole. Ele não estava animado. — Você sabe da história da minha antiga irmãzinha, não é?
— Sei, o que tem? — Lucas não só sabia disso, como também vinha ajudando a investigar o assunto durante todos aqueles anos.
Rodrigo parecia um pouco frustrado: — Eu não tenho certeza também. É só que ver a Júlia agora pouco me fez, de repente, em uma fração de segundo, pensar na minha irmã.
Lucas permaneceu em silêncio. Sem dizer nada, brindaram as taças em voz baixa e, só depois de uma pausa, ele disse: — É muito possível que seu estresse ultimamente esteja te afetando. Não tem como ser ela.
Rodrigo não se movimentou nenhum milímetro: — Por ser hoje dia de aniversário de Lucas, bebi uma quantidade maior do que deveria.
— Então era aniversário do Lucas, hã? — No exato instante que ouviu esse nome, o rosto de Lívia mudou radicalmente. — Nesse caso, faria sentido dar uma bebidiada a mais. E aí? Você se divertiu bastante hoje? E que presente comprou de surpresa para o Lucas? Ele curtiu muito?
A cara de Rodrigo assumiu uma carranca à simples menção disso. Com a presença de Lívia a seu lado desde menino e durante o seu crescimento, as duas vozes eternas ao seu ouvido falavam: a primeira, "Tentar conseguir o respeito e a estima de seu pai", e a outra, "Ter excelentes conexões com a família Campos".
Rodrigo também entendia muito bem a razão para os constantes comentários a este respeito. Desde a sua chegada à mansão do Clã Bastos, a família inteira se uniu na condição de mãe e filho sem a presença do pai, e ela continuava a tentar dar herdeiros ao pai do menino, o Luís Bastos. Mas por ser um esforço inútil até então, ela sofria de ansiedade, temendo com frequência a proximidade do fim destes bons dias, esperando portanto sempre um porto seguro.
Mas como já decorrera bastante tempo, Rodrigo começou a sentir sufoco irremediável. Ele, não tendo mais seu sobrenome, não via a precisão de ter a mãe se empenhando por nada de extraordinário. Com base em sua vivência da família do clã dos Campos, era nítida a visão boa que guardava de Lucas. Valentina, uma agradável irmãzinha querida de sua relação de irmãos, por cuja proteção ele sempre seria uma proteção contínua e imutável.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Fui a Esposa de Fachada do Bilionário — Até Pedir o Divórcio e Ver Ele Perder o Controle