Por mais que fosse o presidente do Grupo Campos, ela dizia que não valia a pena mencionar. Dante achou apenas que ela estava tentando criar distância, sem querer discutir aquilo com ele. Além disso, ele tinha notado: logo após ele fazer a pergunta, ela franziu a testa de forma óbvia. Então, estava insatisfeita com a pergunta dele? Achou que ele estava se metendo em sua privacidade?
Em um instante, a amargura no peito de Dante se intensificou, como um vinho de ameixa fermentado por meses no verão que, ao ser aberto, começava a borbulhar para fora.
Mesmo sabendo que aquele não era um bom momento e que deveria parar com o assunto, ele continuou a pressionar: — Você voltando tão tarde... Ele não fica preocupado?
Júlia balançou a cabeça: — Não. Nós não interferimos na vida um do outro.
Dizer "não interferir" era um eufemismo. Na verdade, eles já tinham cortado laços completamente e só se veriam no tribunal.
Mas aos ouvidos de Dante, aquelas palavras não soaram bem. Ele achou que ela estava defendendo o homem, sugerindo que ele era compreensivo. E, comparando isso à sua própria intolerância, sentiu-se ainda mais frustrado.
O carro passou exatamente por uma área movimentada da cidade, revelando uma cena animada pela janela. Apesar da neve, aquilo não diminuía a animação das pessoas. Havia grupos tirando fotos na neve e vários casais rindo e brincando sem parar.
Ao ver a cena, uma ideia surgiu de repente na mente de Dante, e, sem hesitar por um segundo sequer, ele informou a Júlia: — Já que é assim, vamos jantar antes de você voltar.
— Jantar? — Júlia achou que tinha ouvido errado. Àquela hora? Com ela?
— Por quê? Não é conveniente?



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