Ao ver como ela aceitou seu pedido de forma tão direta, Dante Tancredi sentiu uma onda de contentamento. Embora soubesse que, sem dúvida, o trabalho era um fator naquela decisão, o simples fato de ela ter concordado significava que não o odiava, certo?
— Acabei de chegar a Nova Alvorada e ainda não me acostumei com muita coisa por aqui. Preciso encontrar alguém que conheça bem a cidade para me mostrar os arredores. Claro, podemos fazer isso durante os dias úteis, e contará como seu trabalho. Se for no fim de semana, será tratado como hora extra.
— Sobre isso... — Júlia hesitou. Sua hesitação não se devia a não poder fazer o que ele pedia, mas sim a uma certa confusão. Com o status e os recursos financeiros dele, poderia contratar qualquer guia profissional que quisesse. Por que se dar ao trabalho de procurar alguém como ela?
Dante percebeu sua hesitação e, por um instante, sentiu-se um pouco desapontado. Mas, sem coragem para pressioná-la mais, mudou de tom: — Se for inconveniente para a Srta. Viana, deixe para lá.
— O senhor pretende procurar outra pessoa? Na verdade, Nova Alvorada tem muitos guias profissionais. Quer que eu recomende alguns?
— Deixa para lá, não é necessário. Acho que vou dar umas voltas sozinho mesmo. Na verdade, não há nada de ruim em estar sozinho, só que de vez em quando, em dias com o clima como o de hoje, é fácil me perder e ficar andando em círculos.
Júlia olhou para o tempo pela janela do carro e também achou que, se alguém se perdesse com aquele clima, seria realmente bem frustrante.
Ela não perguntou mais por que ele não contrataria um guia profissional. Já que ele havia decidido assim, com certeza tinha seus motivos. Júlia pensou um pouco e disse, sem muita confiança: — Se o senhor não se importar com a minha falta de profissionalismo na área, eu posso tentar.
— Claro. — Dante sorriu no mesmo instante.
Embora fosse apenas um sorriso leve, Júlia não o deixou escapar. Sua primeira reação foi pensar que realmente não se podia acreditar em todos os boatos. A segunda foi constatar que, quando ele sorria, ficava incrivelmente bonito.
Ele já possuía uma aura fria e uma personalidade mais contida. Um sorriso repentino como aquele bem que poderia ser comparado ao derretimento de uma geleira.
Por mais devagar que o carro estivesse, uma hora chegariam ao destino. E por mais que relutasse, ao deixá-la em casa, Dante teria que ir embora.


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