Contudo, o que ela não esperava era que não estivesse sozinha naquelas ruas naquele horário.
Naquele dia, Dante Tancredi não tinha ido para a empresa fazer hora extra, escolhendo deliberadamente passear sozinho de carro. Ele não pediu para o seu motorista acompanhá-lo e apenas desejava ver Nova Alvorada com os próprios olhos; o lugar em que Júlia havia crescido.
De longe, ele vislumbrou uma silhueta estreita na neve. Ele só precisou de um breve olhar de costas, para ter a certeza imediata de que se tratava de Júlia.
O que ele apenas não conseguia compreender era por que ela estava sozinha ali num tempo tão frio.
Com medo de assustá-la, Dante reduziu a velocidade do carro de propósito, não buzinou ao se aproximar e apenas abaixou a janela, chamando em voz baixa: — Srta. Viana.
No instante em que virou a cabeça, ela encontrou o olhar dele e ficou surpresa: — Sr. Tancredi? O que está fazendo aqui?
Dante encostou o carro. Saiu e se posicionou de modo a protegê-la do vento frio: — De passagem. Onde a senhorita vai?
— Eu pretendia ir à estação de metrô. — Júlia não tentou mentir.
— Ainda é uma certa distância. Por que não entra no carro e eu a levo?
— Ah, não acho que seja adequado. Isso poderia atrapalhar os seus compromissos?
— De modo algum. — Dante não a apressou após responder. Apenas a observou em silêncio, aguardando sua decisão.
Júlia estava muito dividida. Por um lado, as pessoas diziam que ele possuía uma personalidade fria e difícil de lidar, então tinha medo de não notar algo e acabar ofendendo-o por acidente, o que seria ruim.
Por outro lado, de acordo com suas observações recentes, Júlia achava que os rumores pareciam irreais. Ele não era tão frio; pelo contrário, tinha um temperamento estável e era bastante prestativo.
Dante percebeu a hesitação dela e tomou a iniciativa de perguntar: — O que foi, tem medo de mim?

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