No final, Júlia cedeu: — Vamos ver até lá. Se eu não tiver nenhum outro compromisso, eu passo aí.
— Ótimo, ótimo, a vovó estará te esperando.
Assim que desligou, Dona Campos ligou imediatamente para Lucas. O tom de sua voz mudou para um modo severo num piscar de olhos, dizendo para ele esvaziar a agenda de domingo e voltar à casa principal. Além disso, deixou claro repetidas vezes que ele deveria ir sozinho e que não trouxesse Valentina nem Arthur.
Logo chegou o domingo. O encontro seria para o almoço, então Lucas se levantou bem cedo. Ele escolheu um terno escuro, e em seguida separou uma gravata de tom parecido para combinar. Por último, usou spray para ajeitar o cabelo, criando um aspecto refrescante e com textura, arrumando-o de maneira solta para trás.
Valentina observava de lado, achando muito estranho. Não tinha ouvido falar que ele iria a algum banquete importante hoje. Por que, de repente, estava tão preocupado com a própria imagem?
— Lucas, você tem tempo hoje? — ela perguntou de propósito. — A loja onde costumo comprar recebeu coisas novas. Uma vendedora entrou em contato para dizer que há muitas roupas que eu vou gostar. Eu queria dar uma olhada daqui a pouco. Você pode me acompanhar?
Lucas estava amarrando a gravata e não levantou a cabeça. — Eu não entendo dessas coisas. É melhor você ir passear com as suas amigas.
Valentina ficou um pouco desapontada: — Mas eu compro essas coisas para você me ver vestindo. Você não precisa entender, basta escolher as que mais gosta.
Lucas foi até ela e afagou-lhe a cabeça: — Seja boazinha, vá com as amigas. Pegue o cartão que eu te dei e compre o que quiser.
Se fosse no passado, Valentina com certeza sorriria de orelha a orelha. No entanto, hoje, ela simplesmente sentiu, sem saber por quê, que Lucas estava tentando evitá-la de propósito.
Ela não desistiu: — Você não tem nada para fazer hoje de qualquer maneira, venha comigo.
— Ao meio-dia tenho que ir à casa principal para almoçar com a vovó.
— Só você e ela? — Valentina insistiu.
Lucas ergueu os olhos e a encarou; embora não tivesse dito nada, seu olhar havia esfriado.
— Isso é na frente das outras pessoas. Você não é assim na frente da Júlia. Se você fosse assim desde cedo, será que ela ainda teria ido embora?
— Vovó, eu fiz o que me pediu. Pode parar de me dar bronca?
Dona Campos bufou: — Acha que eu quero? Mas só de te olhar eu já fico irritada.
Lucas não respondeu, apenas levantou as mãos em sinal de rendição. Dona Campos não disse mais nada, e os dois conversaram sobre outros assuntos por um tempo, até que um empregado entrou para avisar que Júlia havia chegado.
Feliz, Dona Campos apressou-se em levantar para recebê-la. Lucas, a princípio, não planejava ir, mas após receber um olhar cortante da avó, levantou-se e a acompanhou.
Assim que saiu, ele viu uma figura alta e esbelta se aproximando.

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