O seu olhar já não era puro.
Parecia dividido.
Para ser mais exata, o homem havia traído e sentia-se culpado em relação a ela.
Isso manifestava-se no fato de ele a tratar ainda melhor, com uma consideração quase excessiva.
— Adriana, para você.
Ele entregou a sacola de presente que tinha nas mãos.
— Obrigada.
Geralmente, quando os homens fazem algo de errado, compram presentes para as mulheres de repente.
Ela fingiu não saber e aceitou com um sorriso.
Foram juntos ao banquete de negócios.
Banquetes eram sempre entediantes e hipócritas.
Depois de acompanhar Adler Campos, sorrindo e lidando com algumas pessoas, ela usou o cansaço como desculpa e foi para a área de descanso.
Adler ainda precisava conversar com algumas pessoas importantes, por isso não a acompanhou. Apenas recomendou que ela não se afastasse, com um tom tão atencioso que só faltou anunciar a todos que Adriana Pires era a sua mulher.
Mesmo que ela nunca tivesse aceitado diretamente.
Os homens eram sempre tão cheios de si.
Na área de descanso suavemente iluminada do banquete, Adriana estava recostada num sofá de veludo, girando levemente uma taça de champanhe entre os dedos, refletindo a luz fragmentada.
Nesse momento, um perfume familiar pairou no ar.
Rosana Tavares chegou sem ser convidada, sentando-se graciosamente na cadeira à sua frente, com um sorriso cheio de segundas intenções a desenhar-se nos lábios.
— Senhorita, escondendo-se aqui sozinha para ter um pouco de paz? — a voz dela era doce, mas o seu olhar carregava uma provocação indisfarçável.
Adriana levantou os olhos, com uma expressão perfeitamente calma:
— Deseja alguma coisa?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Flores Que Florescem Na Lama
Gostaria de ler mais não consigo porque tenho que pagar...