Alita voltou para a área de mineração o mais rápido que pôde.
Quando Lincoln a viu, o coração que estava apertado finalmente relaxou, mas ao notar as ataduras em sua cabeça, a preocupação voltou a tomar conta.
— Alita, a sua cabeça...
— Caí num barranco e fiquei desmaiada por três dias. Você acredita nisso, Lincoln?
Naturalmente, ele não acreditou.
Mas, vendo que ela não queria falar sobre o assunto, ele teve o bom senso de ficar calado.
— A Adriana sabe disso?
— Shh! Não pode contar! Não diga à Adriana que eu me machuquei, deu um trabalhão convencê-la a voltar.
Lincoln suspirou.
— Mas o seu ferimento não é grave mesmo?
— Não é nada. O... cof, cof, o médico disse que não vai deixar cicatriz e que vai sarar logo.
Lincoln não teve escolha a não ser ajudar a esconder a verdade.
Alita soltou um suspiro de alívio e voltou para o quarto para descansar de verdade.
Só então sua mente caótica pôde ter um momento de paz.
Tendo acabado de recuperar a memória, toda a naturalidade e descontração que ela demonstrou foram forçadas.
Apenas agora ela deixava a exaustão transparecer.
Ao fechar os olhos, as lembranças do passado e do presente se entrelaçavam.
Tudo se misturava, impossível de desembaraçar.
Ela até pensou...
Como ela pôde ser tão fácil de enganar?
Primeiro foi enganada por Wesley Camargo, depois por Helder Casimiro.
Maldição, esses homens desgraçados e agourentos!
Ela arranhou a parede de tanta raiva!
...
Depois que Adriana desligou o telefone, não conseguia deixar de se sentir inquieta.
Ela ligou novamente para Lincoln.
Só depois de receber a confirmação dele de que Alita estava realmente bem, ela conseguiu relaxar um pouco.
Ela, claro, também sentiu que Alita talvez estivesse com algo na cabeça e quisesse ficar sozinha por um tempo.
Fazia sentido, afinal, ela tinha acabado de recuperar a memória. Sua mente devia estar uma bagunça e ela precisava de um tempo para processar tudo sozinha.
Contanto que ela estivesse bem, era o que importava.
— É a reabertura de um orfanato que foi reformado. Passei os últimos seis meses ocupada com isso, e você também investiu bastante dinheiro na fase final. Em termos de qualificação, você é mais do que adequada. Vá cortar a fita, apareça um pouco nos jornais. Você pode tentar participar daquela seleção dos dez melhores do país depois.
A Senhora Paiva não fez questão de esconder suas intenções.
Estava claro que queria promovê-la, por isso lhe deu essa oportunidade.
Aparecer mais nos jornais, acumular uma boa reputação e participar da seleção.
Essa seleção só traria benefícios, nenhuma desvantagem.
Claro, isso também se devia ao fato de ela ter doado quantias substanciais para a caridade de verdade.
— Tudo bem, eu vou.
Ela não recusou a gentileza.
O corte da fita seria às oito da manhã do dia seguinte.
O local era na Cidade H, logo ao lado, a três horas de viagem.
Considerando que também precisaria jantar com as autoridades locais, ela decidiu ir uma noite antes.
Heitor e Anan já estavam acostumados com as viagens de negócios da mãe, então não ficaram grudados nela. Pelo contrário, ajudaram a arrumar as malas com agilidade.
Anan estava agachada de um lado, conferindo os itens:
— Sabonete facial, produtos de pele, toalha... Heitor, ainda falta...
— Chegou, chegou! É a máscara de dormir, né! A mamãe não consegue dormir bem sem isso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Flores Que Florescem Na Lama
Gostaria de ler mais não consigo porque tenho que pagar...