Adriana Pires ligou para Helder Casimiro.
O telefone tocou por muito tempo antes de ser atendido.
— Alô?
— Helder Casimiro, esqueceu o que me prometeu?
Um som de vidro se espatifando veio do outro lado da linha, como o de um copo quebrando.
— Aconteceu alguma coisa com a Alita?
O tom de Helder Casimiro carregava pânico.
Não parecia fingimento.
Adriana Pires hesitou:
— Você não sequestrou a Alita?
Helder Casimiro quase não conseguiu conter um palavrão:
— Adriana Pires, eu posso ser um canalha, mas não sou um lixo! O que prometi, não volto a fazer. Além disso, eu quero a Alita viva, não o cadáver dela!
Aquele episódio na torre já havia assustado Helder Casimiro o suficiente.
Ele realmente tinha medo de que Alita perdesse o controle a ponto de não se importar com a própria vida.
Por isso, durante aquele período, ele apenas a seguia, observando-a em segredo e enviando-lhe flores e presentes diversos.
Mas, mesmo essas pequenas ações foram notadas por Alita, que o encurralou de volta.
Ele não sabia como ela havia descoberto sua localização.
Mas, quando ela parou na sua frente, ele pôde ouvir o bater descontrolado de seu próprio coração.
— Helder Casimiro, pare de me seguir. Entendeu?
— Eu não fiz nada.
— É mesmo? Pare de fazer essas coisas inúteis, eu não quero passar a te odiar ainda mais.
Aquela única frase esmagou o último resquício de orgulho de Helder Casimiro.
Ele abandonou a expressão cínica que costumava usar e falou com uma voz grave:
— Eu só estou tentando te reconquistar de verdade. Começar do zero.
— Eu não preciso.
A expressão de Alita Pires era resoluta.
— Não preciso que você me persiga. Você está me causando problemas.
— Alita...
— Eu não perdoei a sua mentira. Então, não apareça mais.
Deixando essas palavras para trás, Alita Pires foi embora.
Helder Casimiro teve o coração partido e passou a beber todas as noites.
Aquele outrora arrogante Senhor Helder, o mulherengo que havia descartado inúmeras mulheres, finalmente provou o sabor de ser abandonado.
Ela realmente não o queria mais.
Incapaz de aceitar esse desfecho, ele buscou dormência no álcool.
Quando Adriana Pires ligou, ele estava afundado em um bar.
Sem mulheres, apenas ele, sozinho.
Contudo, ao ouvir que algo havia acontecido com Alita, foi como se um balde de água fria tivesse sido jogado sobre ele, despertando instantaneamente sua mente nebulosa.
— Vou procurá-la agora mesmo!
Ele exibiu um olhar angustiado:
— Alita, acalme-se, não se mexa. O que aconteceu com você?
O rosto de Alita Pires estava branco como papel, coberto de suor frio.
Um zumbido agudo ecoou em sua cabeça.
Pare!
Pare agora!
Mas as memórias não se importavam com o seu sofrimento; elas foram restauradas por completo.
Até que a dor começasse a recuar, ela ofegava pesadamente.
Wesley Camargo soltou suas mãos com cuidado:
— Alita, você está bem?
Alita Pires finalmente ergueu a cabeça, revelando um rosto encharcado de suor.
Ela olhou para Wesley Camargo, em silêncio por um longo tempo.
Aquele olhar...
Wesley Camargo estremeceu violentamente, sendo invadido por um pensamento inacreditável:
— Alita, quem sou eu? Você... você por acaso... por acaso...
Recuperou a memória, essas três palavras não conseguiam sair devido à sua agitação.
Alita Pires exalou profundamente o ar preso nos pulmões, e perguntou com a voz rouca:
— Por que estou aqui?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Flores Que Florescem Na Lama
Gostaria de ler mais não consigo porque tenho que pagar...