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Esquece, Ethan! A Senhora Está Noiva do CEO Mais Poderoso romance Capítulo 692

A voz de Luiza soou tão sincera e suave que os nervos de Nina, que já estavam esgarçados pelo cansaço, acabaram relaxando aos poucos.

— Então… Eu é que tenho que te agradecer. — Ela respondeu.

Ela se perguntou, em silêncio, que mérito ela tinha pra merecer uma confiança dessas da irmã.

Depois que a ligação terminou, o silêncio ao redor ficou quase exagerado. Só dava pra ouvir, de vez em quando, algum ruído mínimo vindo da sala de estar, barulhinhos tão fracos que praticamente se perdiam no ar.

O sol já estava se pondo, tingindo tudo de dourado e deixando o rosto de Luiza ainda mais delicado. De repente, ela pareceu se dar conta de alguma coisa. Virou a cabeça na direção de Gustavo, rápido, e apontou o dedo pro nariz dele:

— Você já desconfiava, faz tempo, que aquilo tudo podia mesmo ter a ver com a família Frota, não é?

A voz dela estava leve, quase brincalhona, sem nenhum sinal de bronca de verdade.

Gustavo deixou o canto dos lábios subir um pouco.

— Vai querer acertar as contas agora?

— Eu só tô curiosa, tá? — Ela retrucou.

— Aham. — Gustavo concordou com um aceno e explicou, sem esconder nada. — Esse Nicanor, que a Nina citou, era o chefe da polícia de Cidade B naquela época. E também era um ex-companheiro de guerra do Callum.

Quando ouviu isso, Luiza entendeu na hora.

Gustavo já tinha levantado essa informação havia muito tempo, só não tinha contado pra ela.

Ao notar que ela tinha ficado alguns segundos calada, Gustavo olhou diretamente pra ela:

— Você ficou brava?

— Não. — Luiza respondeu, muito mais tranquila com ele do que costumava ser com qualquer outra pessoa. O que vinha na cabeça, ela dizia. — Eu sei que você só queria esperar tudo ficar bem claro antes de me contar.

Pra evitar que, no meio do processo, ela ficasse com o coração na boca a cada notícia nova, com o emocional indo de um extremo a outro.

Se, por exemplo, antes daquela ligação, ela tivesse descoberto que Nicanor era próximo da família Frota, era bem capaz de ela ter cravado, sem pensar duas vezes, no pior desfecho possível.

E esse, sim, era um resultado que ela teria muita dificuldade de aceitar.

Gustavo estava prestes a levantar a mão para bagunçar de leve o cabelo dela quando o celular vibrou com uma mensagem nova.

Cauã: [Ele foi mandado pra Singapura por tempo indeterminado. Em três, cinco anos, não tem a menor chance de voltar.]

Pelo vidro da porta de correr, dava pra ver perfeitamente Manuela sorrindo e acenando para os dois virem até lá.

Virgínia parecia ter mirado o horário certinho. Assim que Luiza terminou o jantar, ela recebeu as duas pastas dos processos.

Mesmo confiando na palavra de Nina, Luiza pegou os dossiês e subiu pro quarto, decidida a ler tudo com calma.

Gustavo só ficou ali, do lado dela, em silêncio, fazendo companhia. Ele viu quando ela rompeu o lacre, tirou os documentos amarelados lá de dentro e começou a folheá-los, página por página, com um cuidado que saltava aos olhos.

Luiza já tinha ouvido partes da verdade pela boca de Ethan. Há pouco, Nina também tinha destrinchado toda a sequência de acontecimentos.

Ainda assim, naquele momento, com os registros completos na mão, ela não conseguiu evitar a sensação de aperto.

O motorista responsável pelo acidente tinha morrido na hora. O policial que tinha vazado a movimentação dos pais adotivos dela já tinha sido julgado e condenado.

Mas a cadeia de provas tinha se rompido. Não tinha como ir além. O verdadeiro mandante continuava por aí, vivendo a própria vida, como se nada tivesse acontecido.

Só quando o céu do lado de fora já estava completamente escuro, Luiza levantou devagar a cabeça. Os olhos dela brilhavam de lágrimas, mas a expressão vinha serena, firme:

— Danilo e Joana… Um dia eles vão ser julgados pela lei, não vão?

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