Quando Rafael Mendes se aproximou, Isis Silveira rapidamente emergiu da sombra da coluna e se refugiou no quarto, fechando a porta com um estrondo que ecoou pelo corredor. Ela a trancou com um estalo seco, um segundo antes de Rafael Mendes tentar abri-la.
Encostada na porta, o coração de Isis Silveira batia forte.
Do lado de fora, Rafael Mendes permanecia com sua voz carregada de uma ansiedade palpável e uma suavidade que parecia quase etérea: "Silvia, o que devo fazer para que você confie em mim? Devo arrancar meu coração e mostrá-lo para você?"
"Eu não sou quem você está procurando, quantas vezes preciso dizer?" Isis Silveira estava à beira do desespero.
Rafael Mendes insistiu, sua voz ainda mais persuasiva: "Apenas saia e me mostre. Se eu perceber que você não é a pessoa que busco, eu me irei imediatamente."
Mesmo separados pela porta, a sensação que ele tinha sobre a pessoa do lado de dentro era muito familiar, não podia ser um estranho.
"Não vou sair, sou feia, não quero assustá-lo. Você tem sua dignidade, e eu não posso me envolver nisso." Isis Silveira tentava se distanciar de Rafael Mendes, mas ele encontrou uma brecha em suas palavras.
"Você acabou de afirmar que não me conhece. Então, como sabe sobre minha dignidade?"
...
Isis Silveira improvisou: "Eu vi na televisão, você é uma pessoa importante, eu reconheço você, mas você não me reconhece."
Rafael Mendes, no entanto, persistia: "Abra a porta. Talvez você se lembre de mim."
Isis Silveira não tinha escapatória, sabia que se não saísse, Rafael Mendes não iria embora.
Ela também estava quase certa de que Rafael Mendes não era cego; havia observado sua habilidade em explorar o ambiente com um olhar tão preciso quanto o de alguém com visão normal.
Rafael Mendes não ser cego não trazia nenhum alívio para Isis Silveira, apenas um sentimento de desamparo sobre como escapar.
Isis Silveira mordeu o lábio, questionando uma última vez: "Então, eu apenas preciso sair para que você possa me ver, e se não me reconhecer, você irá embora?"
"Sim."
Lentamente, ela abriu a porta, e Rafael Mendes viu primeiro um rosto escuro e sujo, cabelo curto irregular como se tivesse sido mastigado por um cachorro, com a postura encurvada de quem tem uma corcunda.
Nada, todos os possíveis esconderijos já haviam sido verificados, não só ele não encontrou Silvia Oliveira, como o sentimento de familiaridade também se esvaía.
Por fim, ele retornou à porta e perguntou através dela: "Qual é o seu nome, e quando você chegou aqui?"
Isis Silveira respondeu prontamente: "Me chamo Tânia, fui contratada pelo Sr. Oliveira para cuidar da casa, cheguei há um mês."
Os passos de Rafael Mendes se afastaram, e Isis Silveira, com o ouvido colado à porta, escutou atentamente por um longo período, certificando-se de que não havia mais movimento antes de finalmente abrir uma fresta na porta.
De sua posição, ela podia olhar para o andar de baixo e ver toda a sala de estar, que estava vazia. A porta da frente estava aberta, Rafael Mendes provavelmente tinha saído.
Se não fosse agora, talvez não tivesse outra chance quando ele voltasse.
Isis Silveira foi imediatamente até o depósito pegar suas malas e desceu as escadas apressadamente.
Na garagem, havia uma caminhonete. No primeiro dia em que Isis Silveira se mudou para lá, Nilton Oliveira lhe deu as chaves do veículo, sugerindo que ela poderia usá-lo para dar uma volta quando se sentisse entediada. Agora, essa sugestão se mostrava extremamente útil.

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