Num acesso de desespero, ele ergueu a mão e a passou suavemente pelo rosto de Isis Silveira, sentindo a textura suave e delicada de sua pele... Contudo, foi imediatamente interrompido por um tapa que afastou sua mão: "Você lavou as mãos?"
Não.
"Vou lavar as mãos." Nilton Oliveira, com um sorriso maroto, passou um pacote de lenços: "Não chora, tá?"
Dizendo que ia lavar as mãos, Nilton Oliveira dirigiu-se ao banheiro. Abriu a torneira e lavou o rosto com água fria por um bom tempo, até sentir que o calor em seu rosto começava a se dissipar.
Quando Nilton Oliveira voltou de lavar o rosto, o cabelo de Isis Silveira estava ainda mais curto, cortado de forma irregular, parecendo uma moleca.
Ela vestia agora um uniforme de empregada e havia algo em seu rosto que o fazia parecer mais escuro.
Os dois organizaram os itens de uso diário e alimentos, classificando cada coisa em seu lugar. Nilton Oliveira não ousava perguntar sobre Isis Silveira, com medo de reavivar suas mágoas, então contou a ela sobre o que aconteceu no supermercado, como uma forma de distração.
Isis Silveira perguntou: "A mulher que te ajudou é alta, de pele clara, com olhos grandes e cabelos castanhos até aqui?" Ela fez um gesto indicando o comprimento dos cabelos.
"Exatamente."
Nilton Oliveira assentiu: "Você a conhece?"
"Não."
Isis Silveira, pegando um papel e caneta, anotou um endereço e o entregou a ele: "Manda o dinheiro pra esse endereço pra ela, e não se envolva mais, essa mulher tem segundas intenções, já estava de olho em você faz tempo."
...
"Como você sabe?"
"Não é da sua conta!"
Parece que a conversa não iria fluir bem naquele dia.
...
Depois de arrumar tudo, chegou a hora do almoço.
A cozinha estava equipada, mas nenhum dos dois sabia cozinhar. Felizmente, Nilton Oliveira comprou uma variedade de alimentos prontos, incluindo costelas ao molho de cebola e peixe assado. Com o vapor subindo dos pratos e adicionando ovos cozidos e salsichas, foi uma refeição farta!
Isis Silveira estava visivelmente satisfeita, mas Nilton Oliveira franzia a testa com preocupação: "Preciso encontrar uma empregada que saiba cozinhar para você." Dito isso, ele foi pegar o telefone, mas percebeu que tinha deixado no carro.
O helicóptero era um dos recursos exclusivos da família Mendes, e apenas o patriarca tinha a autoridade para utilizá-lo livremente. Embora Rafael Mendes raramente recorresse aos recursos familiares dessa forma, a situação atual era realmente crítica.
Nilton Oliveira recusou de forma hesitante: "Rafael, melhor você dizer por telefone, o endereço do meu amigo não é muito conveniente para compartilhar."
"Tudo bem, então volta logo, te espero."
Após desligar, Nilton Oliveira demonstrou preocupação evidente: "Isis, preciso ir agora. Rafael está me aguardando em casa, e a situação parece ser urgente."
"Hmm."
Isis Silveira assentiu, entendendo, e fez uma última recomendação: "Não diga a ele que estou aqui."
Nilton Oliveira não entendeu completamente, mas concordou: "Tá."
Ao chegar em casa, ele mal passou pela porta e Rafael Mendes o agarrou pelo colarinho: "Onde está a Silvia? Leve-me até ela."
Nilton Oliveira estendeu a mão e tocou a testa de Rafael Mendes: "Você não está com febre, Rafael, como pode estar falando coisas sem sentido?"

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