Embora não houvesse uma palavra sequer que indicasse o que estava em sua mente, Rafael Mendes conseguia absorver mais do que se imaginava possível.
Nilton Oliveira não parecia estar mentindo; ele foi observado por Rafael Mendes desde pequeno, que o conhece muito bem.
Quando Nilton mentia, seu dedo mínimo esquerdo tremia involuntariamente em um padrão sutil, mas dessa vez, tal sinal não estava presente.
Rafael Mendes levantou-se, pronto para partir.
"Rafael, para onde você vai?", perguntou Nilton Oliveira, ansioso.
Assim como Rafael Mendes o conhecia, ele também tinha um entendimento igualmente profundo sobre Rafael Mendes. Ele sabia que Rafael não abandonaria uma busca até alcançar seu objetivo. Se Rafael estava à procura de alguém, viraria o Rio de Janeiro de cabeça para baixo até encontrá-la!
"Voltar para casa, algum problema?"
"Já que você está aqui, por que a pressa de ir embora?" Nilton Oliveira, tentando adotar um tom brincalhão, segurou a manga da camisa de Rafael Mendes. "Como a sorte nos trouxe ao mesmo lugar hoje, que tal discutirmos a parceria? Melhor aproveitar o momento."
Rafael Mendes recusou: "Não vamos falar sobre isso."
"Por quê?"
Ele ficou impaciente: "Voltei ao país especialmente para essa negociação, isso já estava combinado há tempo, você não pode voltar atrás na sua palavra." Ele segurou a manga de Rafael Mendes, impedindo-o de ir embora. Esse cara é louco por dinheiro, seu maior prazer é ganhar dinheiro e depois contá-lo.
A habilidade da Mendes Auge em atrair capital era ainda mais notável do que a do Pégaso Brasileiro. A revelação de que Rafael Mendes era o verdadeiro proprietário da Mendes Auge trouxe uma satisfação inesperada para Nilton Oliveira.
Embora Sombra não permitisse que ele o visse, a parceria ainda era essencial.
"Não vamos falar."
Rafael Mendes enfatizou novamente, Nilton Oliveira estava prestes a se irritar, mas a próxima frase o fez mudar de raiva para alegria: "Vá procurar Hector Neves, o contrato de parceria está com ele, é só assinar."
...
"É tão simples assim?"
Nilton Oliveira duvidava de seus próprios ouvidos, a felicidade veio tão de repente que parecia irreal.
Carlos Silveira olhou ansiosamente para dentro do carro e, ao ver que Rafael Mendes estava sozinho, seus olhos se encheram de decepção e ansiedade.
"Vamos entrar e conversar."
Rafael Mendes foi ajudado a sair do carro pelo segurança e caminhou para dentro, mantendo um semblante neutro, mas por dentro estava cheio de culpa, sem saber como explicar a Carlos Silveira.
Os dois homens estavam sentados frente a frente no sofá, a tensão no ar era palpável. Carlos Silveira mal havia aquecido o lugar onde sentava quando, do bolso, retirou um cartão bancário e o colocou sobre a mesa de centro com ambas as mãos: "Jovem Sr. Mendes, da última vez que o trouxe de volta, o senhor nem percebeu quando o coloquei de volta no seu bolso, por isso, vim devolvê-lo pessoalmente hoje."
"Dote?" Rafael Mendes franziu a testa.
Problemas resolvíveis com dinheiro são simples; o verdadeiro desafio começa quando o que se busca é alguém insubstituível. E é aí que as coisas se complicam profundamente.
O medo de Carlos Silveira se confirmou quando ele assentiu seriamente: "Sim, este cartão contém o mesmo cem milhões que o velho Senhor havia enviado anteriormente. Agora, estou devolvendo cada centavo, por favor, devolva-me Isis, permita que eu a leve de volta para casa."
Isis Silveira apenas havia sido criada por Carlos Silveira, mas ele estava disposto a enfrentar a ruína financeira para tê-la de volta.
"Pelo que sei, sua empresa está passando por dificuldades financeiras, não é?" questionou Rafael Mendes, penetrante. "Se você está devolvendo o dinheiro, como ficará sua empresa?"

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