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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 240

Alguns meses após a prisão de Constança, a normalidade parecia ter realmente encontrado espaço dentro do apartamento onde Sara e Renato viviam.

Não era uma normalidade perfeita, mas era leve. Sem aquele pressentimento constante de que algo estava prestes a dar errado. O casamento deles estava em sua melhor fase e parecia que agora sim, estavam prestes a viver o melhor para ambos.

Certo dia, Sara estava sentada no sofá, com o filho nos braços, embalando-o enquanto observava a luz da manhã entrar pela janela. Havia algo diferente nela, estava mais calma e segura. Como se, aos poucos, estivesse retomando partes de si que nem ela sabia que havia perdido no meio de tudo o que viveu.

Léo já estava maiorzinho, mais atento ao mundo ao redor, e cada pequena reação dele parecia iluminar o dia dela de um jeito único.

— Você está ficando cada vez mais curioso, não é? — brincou, sorrindo ao ver o bebê mexer as mãozinhas.

Do outro lado da sala, Renato observava a cena em silêncio, apoiado no batente da porta. Era impossível não perceber a mudança em tudo ao redor e, principalmente, nele mesmo.

Durante muito tempo, ele foi movido por impulsos, por orgulho, por decisões que sempre acabavam machucando alguém. Mas agora, havia um cuidado diferente em cada atitude.

— Que tal darmos um passeio? — ela perguntou, olhando para o marido. — Ele fica o tempo todo no apartamento, quero que veja um pouco da natureza também.

— Claro — Renato concordou na mesma hora.

A ideia o agradava mais do que deixava transparecer. Gostava de imaginar o filho crescendo em contato com algo além de paredes e elevadores. Às vezes, se pegava pensando em como seria se Léo crescesse na fazenda. Não pensava nela exatamente pela saudade do lugar, mas pela liberdade que aquilo representava. O espaço, o ar livre, a sensação de não estar sempre limitado.

O apartamento era confortável, mas, ainda assim, tinha suas limitações.

— A gente pode ir até o parque — sugeriu ele. — É tranquilo, tem bastante área aberta.

Sara assentiu, gostando da ideia.

— Perfeito.

Levantou-se com cuidado, ajeitando Léo nos braços, enquanto Renato já ia até o quarto buscar algumas coisas.

— Eu pego a bolsa dele — disse.

— Leva um agasalho também, vai que esfria.

— Pode deixar.

Enquanto ele organizava tudo, Sara caminhou até a janela mais uma vez, olhando o céu claro, sentindo a leveza que, há alguns meses, parecia impossível de existir.

Minutos depois, estavam prontos.

Renato pegou o carrinho, e Sara acomodou Léo ali, ajeitando a mantinha com zelo.

— Pronto… — disse, sorrindo.

Saíram do apartamento, lado a lado, seguindo pelo corredor, pegando o elevador.

Entraram no carro e seguiram em direção ao parque da cidade. O trajeto foi tranquilo, mas Renato permaneceu em silêncio quase o tempo todo, concentrado na estrada de um jeito que não passou despercebido.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Sara, virando levemente o rosto para observá-lo.

— Não… está tudo bem — respondeu ele, sem tirar os olhos do trânsito.

— Tem certeza? — insistiu. — Você está mais quieto do que o normal.

Renato apenas sorriu de canto, como se quisesse tranquilizá-la sem precisar explicar.

— Está tudo bem — repetiu.

Sara não disse mais nada, mas ficou com aquilo na cabeça.

Quando chegaram ao parque, o clima ajudou a suavizar o momento. Desceram do carro, ajeitaram Léo no carrinho e começaram a caminhar entre as árvores. O som das folhas ao vento, o cheiro da grama e o movimento das pessoas criavam uma atmosfera leve e acolhedora. Passaram por algumas crianças correndo, rindo alto, depois pararam por alguns minutos para observar os patos no lago. Léo parecia atento a tudo, mexendo as mãos, curioso com o que via.

Depois de um tempo, encontraram um banco próximo à água e se sentaram. Sara ficou alguns segundos olhando a paisagem, absorvendo aquele momento tranquilo… mas a inquietação voltou.

Virou o rosto e encarou o marido.

— Tem certeza de que está tudo bem?

Ele hesitou. Respirou fundo, como se estivesse decidindo se falava ou não.

— Sabe o que é... — começou, passando a mão na nuca. — Eu estava pensando que talvez… a gente pudesse se mudar.

A fala a pegou completamente de surpresa.

— Nos mudarmos? — repetiu, confusa. — Por quê?

Renato demorou um segundo antes de responder, como se organizasse os próprios pensamentos.

— Eu gosto do apartamento, da rotina… — disse, olhando à frente. — Mas, às vezes, parece pouco.

— Eu não queria te preocupar com besteiras.

— Não é besteira, Sara — ele respondeu na mesma hora. — A gente sabe muito bem tudo o que aconteceu ali… mas eu não fazia ideia de que ainda te afetava assim.

Ela respirou fundo, entrelaçando os dedos no colo.

— Eu achei que ia passar — admitiu. — E, na maior parte do tempo, eu fico bem. Mas, de vez em quando… volta.

Ele ficou em silêncio por um segundo, absorvendo aquilo.

— Você não precisa passar por isso sozinha — disse, mais calmo, aproximando um pouco o corpo do dela. — Se aquilo não está te fazendo bem, a gente muda. Simples assim.

Surpresa pela naturalidade da resposta, ela o olhou.

— Simples assim?

Ele assentiu.

— Eu não quero que você se sinta presa a um lugar que te traz lembranças ruins.

Ela abaixou o olhar, pensativa.

— Eu não tinha pensado por esse lado…

— Então, pensa agora — disse ele, com um leve sorriso. — A gente pode recomeçar em outro lugar, sem nenhum peso.

— Você está mesmo decidido a isso, não está?

— Estou — respondeu, sem hesitar. — Mas só se você quiser também.

Ela olhou para Léo por alguns segundos, observando o filho calmo, alheio à conversa, depois voltou o olhar para Renato.

— Eu quero… — disse, finalmente. — Acho que a gente merece isso.

Renato sorriu de leve, visivelmente aliviado.

— Então vamos nos mudar para uma casa linda, onde a gente realmente se sinta em casa.

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