Ao escutar o que a esposa acabara de dizer, Renato pegou o celular da mão dela e encarou a tela, tentando confirmar o que tinha ouvido. O coração dele disparou no mesmo instante.
— O que está acontecendo? — perguntou, já se levantando da mesa.
Sara fez o mesmo, sem nem pensar, e os dois saíram do café às pressas, deixando tudo para trás, inclusive o pedido que mal tinham feito. A tranquilidade de poucos minutos antes havia desaparecido por completo.
No carro, Renato deu partida com rapidez, acelerando sem nem perceber, enquanto Sara tentava ligar para Odete mais uma vez.
Chamava.
Chamava.
E nada.
— Atende… atende, por favor… — murmurava, com a mão tremendo.
A chamada caiu.
Ela tentou de novo.
— O que será que aconteceu? — disse, com a voz falhando, já sendo tomada pelo desespero. — Meu Deus, Renato… e se alguém entrou lá? E se fizeram alguma coisa com o Léo?
— Não fala isso — ele cortou, firme, mas a tensão na voz era evidente. — A gente já está chegando.
Mas nem ele acreditava totalmente no que dizia.
A mente dele já corria, buscando respostas, cenários, qualquer explicação lógica, mas nada parecia fazer sentido. Odete jamais deixaria o bebê sozinho. Nunca.
— Mostra de novo — pediu, estendendo a mão rapidamente.
Sara colocou o celular à frente dele, mostrando a imagem da câmera.
Odete, desesperada, batendo na porta e o berço vazio.
Renato apertou o volante com mais força.
— Droga…
Pisou ainda mais no acelerador.
— Liga para a portaria — disse ele. — Agora.
Sara obedeceu imediatamente, discando com dificuldade por causa do nervosismo.
— Alô? — disse assim que atenderam. — Aqui é a Sara, do apartamento 201. Você viu alguém entrar ou sair do meu apartamento?
Houve uma pausa do outro lado.
— Senhora, não… ninguém registrou entrada.
O coração dela acelerou.
— Tem certeza? — insistiu.
— Tenho, senhora.
Ela desligou, olhando para Renato, completamente perdida.
— Ninguém entrou.
— Então, o que está acontecendo? — ele rebateu, já nervoso.
— Eu não sei…
O silêncio que se seguiu foi assustador. Porque, se ninguém tinha entrado, aquilo só podia significar uma coisa. Alguém que tinha acesso e que não precisava se anunciar havia estado ali.
Os olhos de Sara já estavam cheios de lágrimas.
— Renato… E se a Lorena esteve ali novamente?
— Isso não é possível. Ela está presa.
— Então, quem pode ter sido? — indagou desesperada.
— Minha mãe… — murmurou, com a mandíbula travada.
Com as mãos ainda tremendo, pegou o celular e discou o número da polícia com dificuldade, sentindo o coração bater tão forte que parecia ecoar na própria cabeça.
— Alô… — disse, assim que atenderam, com a voz falhando. — Eu preciso de ajuda. Sequestraram o meu filho.
Do outro lado, a atendente tentou acalmá-la, pedindo informações, endereço, descrição do que havia acontecido. Sara se esforçava para responder tudo, mesmo com a mente embaralhada.
— Foi a minha sogra… ela invadiu o apartamento e levou o meu bebê… ele tem poucos dias de vida… por favor…
Enquanto falava, as lágrimas já escorriam sem controle.
Odete apareceu ao lado dela, ainda abalada, mas tentando se manter firme.
— Fala o nome dela… — sussurrou.
Sara assentiu e continuou, passando todos os dados que lembrava.
— Vamos enviar uma viatura imediatamente — respondeu a atendente.
Assim que desligou, Sara levou as mãos ao rosto, tentando conter o choro, mas era impossível.
— Vai dar tudo certo… — disse Odete, aproximando-se, mesmo ainda fragilizada. — O senhor Renato vai encontrar ele.
— Não posso deixar isso só nas mãos do Renato — declarou, com a voz firme, apesar do choro ainda preso na garganta. — O meu filho precisa de mim.
Antes que Odete pudesse dizer qualquer coisa, Sara já se virou e caminhou em direção à porta. Havia algo diferente nela agora. O desespero ainda estava ali, mas tinha sido tomado por uma determinação que não aceitava mais ficar parada.
— Sara, espera… — tentou Odete, aflita.
— A polícia já está a caminho — respondeu, sem parar. — E eu não vou ficar aqui esperando notícias.
Ela saiu do apartamento com passos rápidos, apertando o celular com força na mão enquanto chamava o elevador. Cada segundo longe do filho doía como uma urgência impossível de ignorar.
Assim que as portas se abriram, entrou e apertou o térreo várias vezes, impaciente.
— Aguenta, meu amor… — murmurou, com os olhos marejados. — A mamãe está indo…

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