George perguntou:
— A comida está do seu agrado?
Valéria assentiu:
— Está deliciosa, agradeço a hospitalidade de vocês.
— Você é amiga da Jaqueline, então também é minha amiga. É claro que vou recebê-la bem, mas... — Quando chegou a esse ponto, George fez uma pausa.
Valéria indagou:
— Mas o quê?
George colocou os talheres sobre a mesa:
— Srta. Valéria, com todo respeito, tenho a impressão de que desde o momento em que você entrou, Jaqueline parece querer que nós dois fiquemos a sós, como se já fôssemos bastante próximos. Nós já nos conhecíamos antes?
Ao ver a dúvida nos olhos do homem, Valéria sentiu vontade de lhe contar a verdade, mas, por consideração a Jaqueline, não sabia como proceder.
Apesar de George ter perdido a memória, sua sensibilidade inata o fez perceber algo. Ele perguntou:
— Srta. Valéria, se houver algo que queira me dizer, por favor, não esconda nada de mim. Você sabe da minha situação atual e realmente quero saber de tudo.
— A Srta. Jaqueline não te contou tudo? — Valéria perguntou curiosa.
George sorriu, um tanto constrangido:
— Ela me contou algumas coisas, mas não tudo. Sei que ela faz isso para o meu bem, para evitar que eu sofra algum choque, mas ela me protege até demais. Não quero ser apenas alguém que precisa ser protegido. Srta. Valéria, se você sabe de algo, por favor, me conte, está bem?
— Bem... — Valéria olhou em direção à porta, sem saber se Jaqueline estava por perto.

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