Ângela sentiu como se tivesse sido atingida por um raio. Em seus olhos atônitos havia traços de desespero, como se tivesse ouvido algo inacreditável. Ela balançou a cabeça desesperadamente:
— Não é verdade, Roberto, você está mentindo para mim, com certeza está mentindo, eu não acredito!
Roberto abaixou os olhos, respirou fundo e falou, resignado:
— Tudo o que eu estou dizendo é verdade. Não adianta você não acreditar.
— Eu simplesmente não acredito! — Ângela chorava ao dizer. — Depois que eu fiquei doente, você cuidou de mim o tempo todo, até me mandou para o exterior para tratamento. Você é tão bom para mim, com certeza, é porque me ama. Do contrário, por que continuaria se importando comigo? Você já estava casado. Mesmo que eu seja apenas um pretexto, não há necessidade de cuidar de mim. Se quisesse se divorciar, poderia simplesmente dar qualquer desculpa, dizer que se apaixonou por outra mulher. Mas a sua dedicação comigo é real, eu...
— Tudo isso foi porque eu me sentia culpado! — Roberto interrompeu as palavras de Ângela.
Ângela ficou paralisada:
— O que você disse?
— Quando seu pulmão apresentou problemas, eu achei que minha avó tinha feito alguma coisa, que prejudicou a cirurgia de transplante. Por isso fui bom para você, por culpa.
— Culpa. — Ao ouvir essa palavra, Ângela sentiu como se seu coração tivesse sido rasgado. — Você está dizendo que tudo o que faz por mim é por culpa? Eu não acredito.

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