Jaqueline sabia que, se um dia Roberto descobrisse que ela estava grávida de um filho dele, isso certamente lhe causaria um grande impacto, fosse esse impacto bom ou ruim.
Apenas não sabia de que forma ele viria a saber.
Ela já tinha imaginado a cena em que ela mesma lhe contaria, e então sentia uma profunda dor.
Jaqueline puxou uma cadeira e se sentou ao lado da cama:
— Roberto, falando sério, embora eu não te odeie, no fundo do meu coração ainda guardo ressentimento de você. O que você diz está certo, esse tipo de ressentimento só existe entre familiares. Eu não sei por quanto tempo ainda vou te culpar, mas admito que você tem razão, meu vínculo com a família Santana não pode ser cortado por causa do nosso relacionamento.
Jaqueline tirou o celular do bolso, abriu a lista negra dos contatos e removeu o número de Roberto dela.
— Já tirei seu número da lista de bloqueio, não porque superei tudo, mas porque, pensando bem, eu realmente não posso romper com a família Santana. E se acontecer alguma coisa com a vovó e você não conseguir falar comigo? Mas isso não significa que você...
— Eu entendi. — O olhar de Roberto demonstrava um certo entusiasmo. — Não significa que eu posso te ligar quando quiser, mandar mensagens ou conversar sem motivo. Eu compreendo, não vou fazer isso. Se não houver necessidade, não vou te incomodar.
Do fundo do coração, ele se sentiu feliz, pois seu esforço finalmente teve uma pequena recompensa.
Mesmo que fosse apenas um pequeno passo, ele já se sentia feliz.
Jaqueline assentiu com a cabeça, então guardou o celular no bolso.
Achava suficiente que ele tivesse compreendido.
— Além disso, vou repetir o que o médico me falou: durante os próximos três anos, você não pode mais beber. Se você se embriagar de novo e prejudicar ainda mais o seu estômago, pode ser que, pelo resto da vida, você não consiga mais comer alimentos sólidos, apenas líquidos. Se você insistir em beber, eu não posso te impedir. Não sou sua esposa, não vou ficar te vigiando todos os dias. O corpo é seu, faça o que achar melhor.
— Eu não vou mais beber. — Roberto falou com extrema seriedade. — Eu te prometo...
Ao chegar naquele ponto, ele parou de repente. Quis dizer que prometia a ela, mas ao refletir, achou engraçado, pois já tinha feito muitas promessas a ela antes e, no final, não cumpriu nenhuma.
A palavra "promessa" estava cheia de ironia.
Ao ver que Roberto permaneceu em silêncio, Jaqueline também não o apressou, apenas ficou olhando para ele por um tempo. Depois de um bom tempo, ela perguntou:
— Por que ficou calado?
Roberto sorriu amargamente:
— De repente, me dei conta de que não tenho direito de te prometer nada, mesmo querendo muito te dar uma garantia.
— Já que não pode prometer, então é melhor não dizer nada. E quanto a isso, mesmo que você me dê garantias, não faz sentido, afinal, é o seu próprio corpo, você é quem deve se comprometer consigo mesmo. Você ainda é tão jovem, se tiver algum problema, é algo para a vida toda. Só posso te alertar até aqui.

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