A expressão de Roberto lembrava a de uma criança perdida, com os olhos marejados de lágrimas, extremamente comovente:
— Você ficou bêbada e também perdeu a memória? A gente é casado, não é?
Ela sentia que ele não podia mais agir como antes.
E ela própria, muito menos.
Roberto soltou a mão de Jaqueline, franziu a testa e, com dificuldade, se levantou da cadeira. Cobriu o estômago com a mão, se curvando de dor.
Jaqueline correu para ampará-lo:
— Melhor eu te levar pro hospital.
Roberto, teimosamente, afastou a mão dela:
— Não vou.
— Por quê?
— Sem porquê. Só não quero ir.
— Roberto, para com essa teimosia, tá bom? — Jaqueline franziu o cenho. — Olha só o estado em que você está agora.
— Que estado? — Roberto virou o rosto para ela. — É só uma dor de estômago, não é?
— Você sabe que está com dor e mesmo assim bebeu tanto. Está se maltratando de propósito?
Jaqueline estava furiosa. Sentia que aquele homem nem sequer cuidava do próprio corpo. Sabia muito bem das consequências, mas ainda assim insistia em agir daquele jeito. Era isso que mais a irritava.
— E você, então? — Roberto se endireitou com esforço. O rosto pálido se contorceu num sorriso sarcástico. — Fez o exame como eu te pedi?
— Por que está falando disso do nada? Eu não estou sentindo nada.
— É mesmo? Pois eu penso diferente. A minha dor, por mais que eu tente esconder, não dá para disfarçar. Mas a sua... Você está escondendo.
— Não estou — Jaqueline já se sentia exausta. — Você vai pro hospital ou não vai? Se não for, então eu não vou mais me importar com você. Quer sentir dor? Que sinta até morrer, pronto.
"Afinal, ele mesmo se colocou nessa situação. Sai sem avisar para beber tanto, fica fazendo escândalo bêbado e agora vem reclamar de dor de estômago e pedir carinho. Como esse homem se tornou tão insuportável? Parece uma criança mimada."

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