Ao ouvir isso, Jaqueline franziu levemente as sobrancelhas:
— Você realmente ouviu o noivo dizer isso?
— Eu ainda seria capaz de mentir para você? — Roberto soltou uma risada autodepreciativa de repente. — Mas essa sua pergunta faz sentido. Eu de fato já menti para você.
Jaqueline abaixou o olhar:
— Mesmo que isso seja verdade, mesmo que você tenha ouvido o que o noivo disse... Se queria ajudar, poderia ter falado em particular. Não havia necessidade de causar esse escândalo na frente de tanta gente. Isso pode acabar afetando a relação entre a vovó e a amiga dela.
— Jaqueline, você pensa em tudo mesmo. — Roberto a soltou, se virou de costas e caiu pesadamente sobre a cadeira, exausto.
Ele não sabia quanto já havia bebido. A embriaguez o dominava com cada vez mais intensidade, a ponto de mal conseguir se manter de pé.
E continuou:
— Mas foi exatamente isso que eu fiz. Um homem prestes a se casar, só por estar sob pressão, trai a noiva e dorme com outra mulher? Um homem assim merece desprezo. Deve ser condenado por todos.
Jaqueline ficou em silêncio olhando para ele por mais de dez segundos, então ela falou:
— Se você distingue tão claramente o certo e o errado, então por que o nosso casamento acabou do jeito que acabou? Se você amava a Ângela, não deveria ter se casado comigo. Se me amava, então, depois de se casar comigo, não deveria ter mantido nenhum vínculo com a Ângela. Roberto, a moralidade serve para limitar os próprios atos, não para julgar os dos outros.
— Jaqueline... — Roberto falou num tom arrastado e profundo. — Você acha que eu e a Ângela fizemos sexo?
O coração de Jaqueline deu um leve sobressalto. Ela começou a esfregar o polegar contra o indicador, com força crescente, até a pele suar de tensão.
— Para mim, isso... já não importa mais.

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