Ela contaria para Roberto. Já estava começando a entender tudo, mas ainda não era o momento.
Atualmente, ela mantinha apenas uma relação conjugal nominal com George. Entre os três, tudo era um caos. Ela achava melhor esperar George se recuperar, que o divórcio fosse finalizado e o bebê estivesse para nascer. Só aí falaria com ele.
Ela sabia que, se Roberto descobrisse que ela e George teriam um filho, ele com certeza não aceitaria numa boa. E, no estado atual de George, ele também não aguentaria aquele tipo de choque.
Roberto assentiu com a cabeça:
— Se você não gosta de ouvir, eu não falo. Eu não falo mais.
— Roberto, na verdade, ao ouvir você me dizer essas coisas, de repente sinto que você amadureceu. Está conseguindo enxergar as coisas do ponto de vista dos outros, e não só com os seus próprios olhos. Por isso, posso retirar aquelas palavras duras que disse antes.
Essa foi a frase mais reconfortante que Roberto ouviu naquele dia. Aliviou um pouco a dor lancinante que sentia no peito.
— É... Antes eu não tinha amadurecido. Fui imaturo, até mesmo estúpido.
Jaqueline balançou a cabeça:
— Não é isso. Você é uma pessoa excelente. Só que, por melhor que alguém seja, sempre tem suas falhas. Você só não soube lidar com os sentimentos. Quem está envolvido emocionalmente tem dificuldade para ver a situação com clareza. Todos têm seus momentos de descontrole, todos dizem coisas erradas de vez em quando. Às vezes, a mente simplesmente foge do controle. Mas o importante é que agora você entendeu, e não é tarde demais.
— Eu já te perdi, como não é tarde demais? — Para ele, já era realmente tarde demais.
Jaqueline não soube como responder a isso. De fato, era tarde.
— Jaqueline, você ainda desconfia de que fui eu quem fez aquilo com o George? Ou então... Aquela pessoa que doou o coração depois... Você ainda acha que fui eu quem matou?

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