A expressão subitamente séria de Serena deixou Leonardo um pouco surpreso. Ele se afastou da porta e disse:
— Entre, vamos conversar.
Serena hesitou por um momento, mas acabou entrando no apartamento dele.
A sala de estar era espaçosa e bem iluminada. Apesar da luz do sol que entrava, o ambiente parecia frio e sem vida.
Leonardo colocou o remédio sobre a mesa e foi buscar algo para Serena beber.
— Café, chá ou um copo d'água?
— Café — respondeu Serena, na esperança de que a bebida ajudasse a clarear seus pensamentos.
Leonardo trouxe uma xícara de café e um copo de água. Sentou-se e a observou em silêncio, esperando que ela começasse a falar.
Serena tomou um gole de café, organizando as palavras em sua mente. Então, ela ergueu o olhar.
— Há algumas coisas que acho que, se esclarecermos, será melhor para ambos. Na verdade, será melhor para você.
Leonardo franziu as sobrancelhas, parecendo antecipar o que ela diria. Ele assentiu.
— Certo, pode falar.
— Desde o nosso divórcio, muitas coisas aconteceram, e muitos mal-entendidos foram resolvidos. Nestes últimos dois anos, sou muito grata por sua ajuda e apoio em minha carreira, e também pela forma como cuida e ama a Yaya. Como pai dela, estou disposta e espero que possamos sempre manter essa relação pacífica e amigável, acompanhando juntos o crescimento dela.
Serena olhou para a luz do sol lá fora, fez uma pausa e continuou:
— No entanto, é só isso. Espero que ambos tenhamos clareza de que, entre nós, além da nossa filha e da colaboração necessária, não haverá nenhuma outra possibilidade. Como, por exemplo, reatar o casamento. Isso não faz parte dos meus planos para o futuro.
As palavras de Serena foram claras e diretas, cada uma traçando uma linha divisória entre eles.
— Você pode não aceitar, pode recusar, pode até, como agora, me dizer claramente quais são os seus limites. Mas, por favor, não me afaste completamente — sua voz soou rouca. — O que eu desejo agora não é muito. Apenas poder conviver com você como um amigo comum. Não me mande embora.
O coração de Serena se encheu de uma emoção complexa. Parecia que a conversa tinha sido em vão. Ele simplesmente não queria ouvir, nem estava disposto a aceitar o que ela dizia.
— Eu… — Serena abriu a boca, mas acabou suspirando. — Não tenho a intenção de mandá-lo embora. Você é o pai da Yaya, e isso nunca vai mudar.
— Que bom — um sorriso brotou nos olhos profundos de Leonardo. — Isso é o suficiente.
Serena se levantou.
— Por enquanto, é isso. Tome seu remédio.
Leonardo assentiu e se levantou para acompanhá-la até a porta.
— Obrigado pelo remédio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Entre Cicatrizes e Esperança
Eu não consigo comprar moedas pede pra desvendar o segredo do livre não consigo desbloquear tão linda a história...
Gostaria de receber livro em PDF,Entre cicatrizes e Esperança...