No momento em que a porta do elevador do vigésimo sétimo andar se fechava, Leonardo Gomes disse a Serena Barbosa:
— Obrigado.
Serena observou a porta se fechar, não totalmente impassível. O pedido de desculpas e a concessão de Leonardo a tocaram, mas as feridas do passado eram profundas demais, e muitas coisas não tinham uma segunda chance.
Como o amor de Serena por ele, sua paixão e um coração que há muito se tornara indiferente a ele.
Poderiam ser amigos, parceiros, investidor e pesquisadora, mas nunca mais poderiam ser… marido e mulher.
Serena voltou para casa e avisou a Dona Isabel que não almoçaria em casa, subindo em seguida para trabalhar.
Às onze e meia, Serena recebeu uma mensagem de Murilo Rocha. Ela desceu e, enquanto pensava em assuntos de trabalho, viu uma figura familiar se aproximando: era a Sra. Serra, mãe de Paulo Serra.
Serena se preparou para cumprimentá-la, mas a Sra. Serra pareceu não notá-la. Somente quando Serena chegou bem perto, ela ergueu a cabeça de repente, olhou para Serena por alguns segundos e a reconheceu.
— Serena Barbosa, é você! — disse a Sra. Serra, sorrindo. Em seguida, repreendeu a si mesma: — A culpa é minha, minha memória está cada vez pior ultimamente. Olha só, esqueci meu celular em casa de novo e estou voltando para pegar.
Serena também notou que o olhar da Sra. Serra não era tão brilhante como antes e que os sinais de envelhecimento estavam mais acentuados. Apesar de morarem no mesmo condomínio, já fazia mais de meio ano que não se encontravam.
— Fui eu que a assustei — disse Serena, com um sorriso de desculpas.
— O trabalho ainda está corrido? Cuide-se, viu? Minha memória está cada vez pior — disse a Sra. Serra. Nesse momento, sua empregada se aproximou apressadamente: — Senhora, trouxe seu celular.
Serena sorriu para a Sra. Serra.
— Sra. Serra, vou indo encontrar um amigo.
— Que sorte que seu novo projeto recebeu um apoio tão grande. Agora você pode se dedicar à pesquisa sem preocupações — disse Murilo, sorrindo.
— Sim, também me sinto muito sortuda. E, claro, a ajuda e o incentivo de Leonardo Gomes foram essenciais — disse Serena, com sinceridade.
A expressão de Murilo ficou mais séria.
— Serena, você já parou para pensar por que Leonardo Gomes se dedica tanto aos seus assuntos? Acha que é apenas por dinheiro?
A respiração de Serena ficou presa por um instante. Ela franziu os lábios. Como poderia não saber?
— Desde o início, quando ele investiu no laboratório, eu senti que grande parte do motivo era você. Claro, sua pesquisa não o decepcionou, ajudou-o a se firmar na indústria farmacêutica e rendeu muito dinheiro. Mas, por razões pessoais, acredito que ele queira reatar o casamento com você — disse Murilo, que raramente falava de forma tão direta sobre a vida pessoal de Serena.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Entre Cicatrizes e Esperança
Eu não consigo comprar moedas pede pra desvendar o segredo do livre não consigo desbloquear tão linda a história...
Gostaria de receber livro em PDF,Entre cicatrizes e Esperança...