Ao cruzar a imponente porta principal da residência Grimaldi, Amanda já não era a mesma mulher que costumava andar na ponta dos pés por aqueles corredores.
O ambiente estoico do lugar não conseguiu intimidá-la desta vez; na verdade, não lhe fez a menor diferença.
Ainda trazia aquele calorzinho gostoso no corpo, uma lembrança saborosa de toda a loucura que havia feito de madrugada.
Quebrar as regras e se entregar sem filtros naquela cama de hotel havia destruído de uma só vez sua antiga versão de esposa perfeita, injetando-lhe uma dose de ousadia que endireitava suas costas a cada passo que dava em direção ao andar de cima.
No entanto, ao chegar ao final da escada, a bolha de sua euforia bateu de frente com a realidade.
Víctor a estava esperando.
Estava de pé perto do corredor que dava para os quartos principais, com as mãos apoiadas na grade, projetando uma calma em que nem ele mesmo acreditava.
Sua postura era relaxada, mas seus olhos a analisavam da cabeça aos pés, buscando qualquer detalhe fora do lugar.
— Onde você estava? — perguntou ele.
Amanda ergueu o queixo, sentindo o fogo da noite anterior ainda ardendo em suas veias.
— Isso não é problema seu, Víctor.
Ele deu um passo à frente, encurtando a distância. Nem sequer mudou sua cara de pôquer, mas a frase que soltou carregava má intenção.
— O quê? Por acaso você vem de um encontro com o seu amante?
Amanda sustentou o olhar e uma faísca de rebeldia brilhou em seus olhos antes que deixasse escapar uma risada curta.
— Se eu te dissesse que sim, Víctor... — sussurrou ela com uma zombaria afiada, aproximando-se o suficiente para que ele pudesse sentir o cheiro sutil de hotel em sua roupa. — Olha, agora entendo perfeitamente por que você prefere passar as noites fora desta casa. É deliciosamente divino. Já estamos quites.
O golpe foi direto e sem anestesia.
Amanda disse isso com um tom carregado de um sarcasmo tão fino que era impossível saber se estava confessando uma verdade ou simplesmente zombando dele.
Víctor não moveu um único músculo do rosto.
Deu de ombros, fingindo que as palavras de sua esposa lhe importavam exatamente o mesmo que a poeira nos móveis.
— Faça o que quiser, Amanda. Contanto que mantenha a discrição e não arme um circo para a imprensa, eu não dou a mínima para com quem você vai para a cama.
Deu meia-volta e afastou-se pelo corredor em direção ao seu escritório, caminhando com a mesma elegância arrogante de sempre.
Mas por dentro, a história era completamente diferente. Enquanto dava as costas a ela, um pensamento perfurava seu cérebro:
"Se você soubesse que fui eu quem te fodeu com força, Amanda. Fui eu quem te deu prazer agora há pouco", pensou Víctor, apertando o maxilar.
Amanda entrou em seu quarto e fechou a porta, apoiando as costas contra a madeira.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: ENGANADA PELO MEU MARIDO
Chocada com a farsa da Melissa...
Outro fato, pelo menos eles conversam kkkkkkk se resolvem...
A estória kkkkk tá fluindo pelo menos, e engraçada até. Espero que ela e o marido se resolvam logo...