No dia seguinte, Víctor estava há horas plantado na sua mesa, passando as folhas de alguns relatórios financeiros sem entender uma única palavra.
O cansaço de ter passado a noite em claro o deixara destroçado e as letras dançavam diante dos seus olhos.
De repente, a pesada porta se abriu devagar e Amanda entrou no escritório.
Vestia um terninho muito elegante, o cabelo preso e o rosto totalmente sério.
Ficaram se olhando em silêncio por um bom tempo, medindo-se com o olhar antes de dizer a primeira palavra.
— Entre, Amanda — disse-lhe Víctor, quebrando a tensão, fazendo menção de se levantar.
— Fique tranquilo, não se levante — cortou-o ela de imediato, avançando com passos firmes até parar em frente à mesa. — Não venho tomar muito do seu tempo. Só vim te trazer isto.
Ela jogou sobre a mesa duas pastas grossas.
— O que é isto? — perguntou ele.
— A ata de entrega formal da fundação e as contas auditadas. E também está aí a minha renúncia irrevogável. Deixo a Fundação Grimaldi para sempre a partir deste momento.
Víctor soltou a caneta e olhou nos olhos dela, sentindo uma pontada no peito.
— Não é necessário que você faça isso, Amanda. Se não quer me ver, tudo bem, eu aceito. Posso colocar outra pessoa como intermediário e você continua encarregada das suas coisas.
— Não se engane, Víctor. Não se trata de você. Você não é o sol e o mundo não gira ao seu redor — respondeu ela com uma frieza que cortava o ar. — Faço por mim. Para sua informação, vou tirar o pó do meu diploma e começar novos projetos por conta própria.
— Se é assim, então te dou os parabéns. Você tem talento para isso.
— Não preciso dos seus parabéns. Guarde-os para você.
Víctor trincou o maxilar.
Ainda se sentia profundamente envergonhado, esmagado pelo peso da humilhação que a fizera passar com o teatrinho do disfarce.
Baixou o olhar para as pastas, incapaz de sustentar os olhos dela cheios de ressentimento.
Mas esse simples gesto, essa demonstração de covardia, foi a gota d'água. Foi o suficiente para que Amanda explodisse por completo.
— Me responda apenas uma coisa, Víctor — exigiu ela, apoiando ambas as mãos sobre a mesa, inclinando-se na direção dele. — O que diabos eu te fiz para que você me odiasse tanto?
Víctor ergueu a cabeça de repente, com o rosto transtornado.
— Pelo amor de Deus, Amanda! O que eu menos faço nesta vida é te odiar. Você me importa mais do que a minha própria vida... só que eu fui um imbecil e descobri isso muito tarde.
Amanda soltou uma gargalhada amarga, sem uma única gota de graça, que ecoou por todo o escritório.
— Nossa, que comovente. Essas frases bonitas de novela não combinam com você, sabia? Se eu importasse o mínimo para você, se você tivesse respeito por mim, não teria precisado inventar um maldito disfarce de teatro para poder se aproximar de mim e me tocar.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: ENGANADA PELO MEU MARIDO
Chocada com a farsa da Melissa...
Outro fato, pelo menos eles conversam kkkkkkk se resolvem...
A estória kkkkk tá fluindo pelo menos, e engraçada até. Espero que ela e o marido se resolvam logo...