O silêncio absoluto de Víctor na escuridão oprimiu o peito de Amanda.
Era um silêncio pesado, asfixiante. Nunca o havia sentido tão tenso assim, tão distante, apesar de tê-lo a poucos centímetros de distância, compartilhando o mesmo ar do quarto.
— Diga alguma coisa, Carlos, porque você está realmente me preocupando — disse-lhe ela, muito mais nervosa, acariciando o seu maxilar e o seu pescoço com as duas mãos para tentar relaxá-lo.
Víctor ficou ainda mais tenso sob o seu toque, os músculos do seu rosto pareciam de pedra, e começou a respirar com dificuldade, quase se engasgando com a sua própria culpa.
— Olhe para mim... confie em mim. Eu sei que está acontecendo algo grave com você, me diga de uma vez, estamos aqui para isso.
Víctor estava completamente esgotado mental e fisicamente. Sentiu que não podia se esconder nem mais um segundo sob aquela fachada.
Tentou engolir em seco e responder com a voz áspera, fingida e um pouco rouca de Carlos para ganhar tempo, mas a mentira ficou entalada na sua garganta.
— Amanda...
Pronunciou o nome dela com a sua voz real. Amanda ficou paralisada dos pés à cabeça, como se tivessem lhe dado um choque elétrico direto no coração.
— O quê...! — soltou ela, afastando as mãos do rosto dele como se, de repente, a pele dele a queimasse.
Víctor fechou os olhos por um instante.
Já não havia ponto de retorno. A bomba acabava de explodir e ele mesmo havia pressionado o detonador.
Ela engoliu em seco com muita dificuldade, recuando um milímetro, tentando fazer com que o seu cérebro processasse o impossível.
— Carlos... essa voz...
Víctor ergueu a mão direita, que tremia ligeiramente, e de um puxão arrancou a barba postiça, deixando-a cair no chão.
Amanda, ao ouvir o roçar brusco e ver cair a sombra dos pelos falsos na penumbra do quarto, ficou completamente tensa, recuando de repente, tropeçando nos próprios pés.
— Não... o que você está fazendo? Espera... — balbuciou, com o pânico e a confusão tomando conta da sua respiração.
Mas Víctor não podia prolongar a tortura nem mais um segundo. Esticou o braço e acendeu o interruptor da luz.
A luz branca inundou o quarto de repente. Amanda piscou, cega, cobrindo o rosto com a mão.
À sua frente, sem lhe dar tempo para reagir, Víctor tirou rapidamente as lentes de contato escuras e as jogou no tapete.
Os seus verdadeiros olhos azuis, avermelhados e marejados, ficaram totalmente a descoberto.
Sem o cabelo escuro nem as sobrancelhas falsas, o disfarce sumiu por completo. Era Víctor Grimaldi.
Amanda piscou algumas vezes, totalmente desconcertada. Os lábios tremeram e a voz mal saiu, incrédula.
— Meu Deus... Víctor?
— Sim. Sou eu... — respondeu ele, com a voz embargada.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: ENGANADA PELO MEU MARIDO
Chocada com a farsa da Melissa...
Outro fato, pelo menos eles conversam kkkkkkk se resolvem...
A estória kkkkk tá fluindo pelo menos, e engraçada até. Espero que ela e o marido se resolvam logo...