O relógio marcava quase quatro da tarde e o escritório da presidência na Corporação Grimaldi estava em absoluto silêncio.
Víctor tentava se concentrar em uma torre de documentos legais que tinha sobre a sua imensa mesa, mas estava com a cabeça uma bagunça.
Por mais que lesse os mesmos parágrafos várias vezes, as letras se cruzavam com a lembrança da boca de Amanda e com a mensagem que ela havia mandado para "Carlos".
De repente, a porta se abriu de par em par sem aviso prévio. Daniel entrou com a sua típica atitude tranquila, segurando uma pasta na mão.
— Aqui estão os resultados da licitação do projeto no litoral — anunciou, jogando a pasta sobre a mesa com um sorriso. — Revisados e aprovados.
Víctor mal ergueu o olhar do papel que estava assinando.
— São favoráveis, imagino.
— Como sempre, campeão. Arrasamos com a concorrência — respondeu Daniel.
Mas em vez de dar meia-volta e sair, Daniel ficou ali, plantado na frente da mesa, e o olhou com uma faísca de zombaria nos olhos.
A língua do Daniel coçava para falar; dava para notar a léguas que ele trazia uma fofoca entalada na garganta e não iria embora sem soltá-la.
— E bom... mudando de assunto para coisas muito mais interessantes — começou Daniel, arrastando as palavras de propósito. — Um passarinho me cantou por aí que a sua queridíssima esposa teve uma manhã bastante agitada.
Víctor deixou a caneta sobre a mesa com lentidão. Fechou a cara imediatamente, ficando na defensiva.
— Que passarinho, Daniel? Do que você está falando?
— Do passarinho da Adriana, claro. Acabei de falar com ela. Acontece que a Amanda teve uma reunião muito importante na fundação com um novo doador. Um cara que chegou do nada para oferecer muita grana. E, segundo o que a Adri me contou com riqueza de detalhes, o cara é um gato. O nome dele é Alexander Donovan.
Aquele comentário atingiu Víctor como um chute na cara. Ergueu a cabeça de repente, cravando os olhos no amigo.
— Um gato?
— Bom, irmão, eu só repito como um papagaio o que me disseram — defendeu-se Daniel, erguendo as mãos em sinal de paz, embora por dentro estivesse rindo. — Sim, que ele é lindíssimo, que parece modelo de revista e, para piorar, é canadense.
O rosto de Víctor se transformou num poema.
Um canadense? O que diabos um canadense estava fazendo metido na fundação da sua mulher?
— Ah, quase me esqueci do outro detalhe — continuou Daniel, jogando mais lenha na fogueira. — Eles combinaram de almoçar amanhã ao meio-dia.
Víctor apoiou-se nos braços da cadeira, tensionando todo o corpo.
— Almoçar? Sozinhos?


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: ENGANADA PELO MEU MARIDO
Chocada com a farsa da Melissa...
Outro fato, pelo menos eles conversam kkkkkkk se resolvem...
A estória kkkkk tá fluindo pelo menos, e engraçada até. Espero que ela e o marido se resolvam logo...