Haviam se passado dois dias inteiros desde o desastre no escritório, dois dias em que Amanda lhe aplicara a lei do gelo de forma magistral.
O sol da manhã batia com força nas quadras de tênis do clube privado. Víctor acabara de dar uma raquetada tão violenta que a bola quase voou por cima da cerca.
— Opa, pega leve! Estamos jogando tênis, não tentando matar ninguém — reclamou Fernando, secando o suor da testa com uma toalha pequena. Ele acabara de chegar de sua viagem a Montreal e já o haviam arrastado para a quadra.
Os três homens deixaram as raquetes e caminharam até uma mesa discreta, sob a sombra de uns toldos, bem longe dos ouvidos fofoqueiros dos outros sócios do clube.
— Que bom que você chegou, Fer. Eu realmente precisava de você — soltou Víctor, deixando-se cair na cadeira de ferro com um suspiro de puro esgotamento mental.
Fernando abriu uma garrafa de água e olhou fixamente para ele.
— Quer me explicar que porra está acontecendo com esse louco, Daniel? Fui embora por uns dias e volto para encontrá-lo transformado em uma alma penada.
Daniel deu de ombros, dando um gole em sua bebida.
— O carma, irmãozinho. O carma chegou para ele com nome e sobrenome: Amanda Borbón de Grimaldi.
Víctor esfregou o rosto com as duas mãos. Já não se importava em esconder o seu desespero.
— Estou ficando louco, Fernando. Faz dois dias que ela não dirige a palavra a mim em casa. Passa por mim nos corredores como se eu fosse apenas mais um móvel. E o pior... é que também não escreveu para o Carlos. Estou incomunicável nas duas frentes. Eu preciso dela, irmão. Percebi que estou perdidamente apaixonado pela minha própria esposa, e a condenada me odeia com toda a sua alma.
Fernando arregalou os olhos o máximo que pôde, processando o tamanho da confusão em que Víctor estava metido.
Na mansão, o celular de Amanda não parava de tocar. Rapidamente ela o pegou para atender:
— Amanda, pelo amor de Deus, vamos ao clube — implorava Adriana ao telefone.
— Não estou a fim, Adri. Quero ficar deitada assistindo televisão.
— Vamos, deixa de preguiça! A Lucía conseguiu escapar do escritório e você sabe que aquela mulher tem a agenda mais apertada que calça de toureiro. É um milagre conseguirmos nos encontrar as três. Levanta.
Amanda soltou uma gargalhada e se rendeu.
— Está bem, você venceu. Me dê meia hora.
Levantou-se da cama, decidida a espantar o mau humor.
Foi até o closet e pegou um traje de banho espetacular: um modelo de duas peças na cor vinho que realçava a sua pele, acompanhado de uma saída de praia de rede preta que deixava muito pouco para a imaginação.
Estava absolutamente linda.
Pouco tempo depois, chegou à área da piscina do clube. O ambiente estava perfeito, o sol brilhava e suas duas amigas já a esperavam com coquetéis na mão.
Riram, fofocaram um pouco e Amanda, sentindo o calor da tarde, decidiu dar um mergulho para refrescar o corpo.
A água fria caiu maravilhosamente bem. Nadou algumas voltas, sentindo-se leve, mas ao sair pelas escadinhas, espremendo a água do cabelo, a paz evaporou.
À sua frente, bloqueando a passagem, estava Melissa. Carregava Mattias, o menino de dois anos, apoiado no quadril, e a olhava com uma expressão carregada de ódio.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: ENGANADA PELO MEU MARIDO
Chocada com a farsa da Melissa...
Outro fato, pelo menos eles conversam kkkkkkk se resolvem...
A estória kkkkk tá fluindo pelo menos, e engraçada até. Espero que ela e o marido se resolvam logo...