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ENGANADA PELO MEU MARIDO romance Capítulo 161

No dia seguinte, o céu amanheceu completamente encoberto. As nuvens cinzentas e pesadas pareciam pressagiar a profunda tristeza do lugar.

O funeral de Melissa foi uma cena absolutamente desoladora.

Não havia mais ninguém para se despedir dela. Nem familiares distantes, nem velhos amigos, nem conhecidos de infância.

Ela não era originária daquele país.

Tinha migrado de Honduras havia vários anos, deixando para trás a sua terra buscando desesperadamente uma vida melhor. O seu sonho inicial era fugir das carências, mas essa meta se distorceu.

A sua incontrolável ambição e a sua sede de vingança acabaram por consumi-la, levando-a por um caminho obscuro que finalmente a conduziu direto para o túmulo.

Diante da cova aberta no silencioso cemitério, o grupo de presentes era minúsculo.

Ali estavam parados apenas Víctor, Daniel, Fernando e Valeria, vestidos de luto rigoroso.

Mantinham uma postura de solene respeito pela vida que tinha se apagado tragicamente.

Minutos depois, o som do cascalho rangendo sob as solas de uns sapatos anunciou a chegada de mais duas pessoas.

Eram Jake e Brenda.

Ele parecia destroçado. Caminhava com o olhar perdido, os ombros caídos e o rosto sumamente abatido.

Brenda caminhava ao seu lado, exibindo um traje que destoava um pouco da estrita sobriedade do lugar.

Rapidamente, Daniel e ela fizeram contato visual. Foi um olhar fugaz, mas carregado de um passado que já estava completamente sepultado para ele.

Jake avançou até ficar à beira do buraco escuro. Passou as mãos pelo cabelo com um gesto de puro desespero.

— Você tem que se acalmar, Jake — sussurrou-lhe Brenda, cruzando os braços, embora o seu tom de voz carecesse de qualquer rastro de empatia genuína.

— Tudo isso foi a minha maldita culpa — murmurou Jake, com a voz embargada e trêmula. — Não achei que ela fosse se dar tão mal lá dentro da cadeia. Eu me recusei a pagar a proteção das guardas para ela e agora veja...

Jake abaixou o olhar, fingindo uma dor insuportável. Brenda revirou os olhos, irritada com o seu teatro patético no meio do sepultamento.

— Já chega, Jake. No fundo você não ama a Melissa. Só a desejava por quão incrivelmente linda ela era. Não venha agora dar uma de puro e de sofrimento eterno — recriminou ela com dureza.

O enterro continuou mergulhado num silêncio sepulcral.

O pesado caixão desceu lentamente em direção à terra úmida. Os coveiros começaram a jogar as pás de terra.

O som surdo da queda marcava o final definitivo de uma mulher que quis ter o mundo aos seus pés.

Víctor conversava em voz muito baixa com o seu amigo Fernando. Discutiam sobre os últimos e incômodos trâmites legais e os documentos da promotoria.

A poucos passos de distância, Brenda continuava olhando fixamente para Daniel.

Daniel notou a insistência daquele olhar pesado. Sem hesitar um único segundo, moveu o braço e agarrou com força a mão de Valeria.

A arquiteta, sentindo o aperto firme do seu parceiro, olhou-o de soslaio. Entrelaçou os seus dedos com os dele, mostrando-lhe um apoio total e incondicional.

Quando o coveiro terminou o seu trabalho e alisou a terra sobre o túmulo, Víctor e Fernando começaram a caminhar devagar em direção aos carros estacionados na entrada.

Daniel soltou suavemente a mão quente de Valeria. Lançou-lhe um breve olhar para pedir um minuto e caminhou alguns passos até se aproximar de Brenda.

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