O salão principal do clube já começava a esvaziar, restando apenas um leve eco das conversas e o tilintar dos cristais.
Víctor se aproximou de Amanda, que tinha ficado de pé junto à grande maquete, com o olhar cravado no vazio e uma tensão evidente que deixava as suas costas rígidas.
— Já temos que ir, querida — murmurou Víctor, passando-lhe o braço pela cintura, pronto para levá-la para casa.
Ela se afastou imediatamente, como se o simples toque dos seus dedos lhe queimasse a pele através do tecido fino do vestido.
Olhou para ele com uma seriedade e uma frieza que o desconcertou por completo.
— Temos que conversar muito seriamente — soltou Amanda, com a voz embargada na garganta.
Víctor franziu a testa, totalmente confuso com a mudança repentina de atitude.
— Sobre o quê, Amanda? O que aconteceu? Tudo saiu com perfeição.
— Melhor quando estivermos lá fora. Não vou fazer uma cena na frente de toda essa gente nem arruinar o evento.
O tom cortante acendeu todos os alarmes na cabeça de Víctor.
Olhou imediatamente para a porta por onde Alexander Donovan tinha desaparecido e depois voltou a fixar os seus olhos escrutadores na sua esposa.
— Mas me diga o que aconteceu. O idiota do Donovan te disse alguma coisa contra mim? Faltou-lhe com o respeito? Porque se for isso, eu te juro que vou atrás dele agora mesmo e...
— Vamos sair daqui! — gritou ela, furiosa, cortando-o de vez, sem se importar nem um pouco que um par de acionistas retardatários se virasse para olhá-los. — Me leve para casa. Agora.
O trajeto começou num silêncio ensurdecedor.
O ambiente dentro do carro de luxo era tão pesado que parecia roubar-lhes o oxigênio. Víctor apertava o volante com força, com os nós dos dedos brancos, olhando para Amanda de rabo de olho a cada cinco segundos.
Ela ia com o olhar fixo na janela, com os braços cruzados sobre o ventre e a respiração notoriamente agitada.
No meio do caminho, Víctor não conseguiu suportar mais a incerteza. Freou de supetão, encostando o carro de maneira brusca numa rua deserta, e desligou o motor com um tapa.
— Já chega — soltou ele, virando-se para ela no seu banco. — Me diga que caralhos está acontecendo com você. Estávamos perfeitos há meia hora, a apresentação foi incrível, você estava feliz, e de repente me trata como se eu fosse o seu pior inimigo. Fale de uma vez, Amanda.
Ela virou-se para olhá-lo. Estava com os olhos marejados, mas mantinha o queixo erguido.
— Uma apresentação incrível? — repetiu ela com uma risada amarga e carente de qualquer humor.
Ele piscou, e por um microssegundo, a sua postura implacável vacilou.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: ENGANADA PELO MEU MARIDO
Chocada com a farsa da Melissa...
Outro fato, pelo menos eles conversam kkkkkkk se resolvem...
A estória kkkkk tá fluindo pelo menos, e engraçada até. Espero que ela e o marido se resolvam logo...