Na sala só se escutavam os gemidos da Brenda. Estava caída no chão, agarrando o estômago com as duas mãos enquanto o sangue encharcava o tapete.
Melissa deu uns passos para trás, quase tropeçando nos seus saltos. Olhou para as suas mãos vermelhas e começou a tremer.
O punhal escorregou dos seus dedos e caiu no chão com um baque seco que a fez dar um pulo.
— Meu Deus... o que foi que eu fiz? — sussurrou, sentindo que o pânico lhe fechava a garganta e lhe tirava o ar.
Não queria matá-la, não tinha ido até lá com essa intenção. Foi um ataque de fúria cega, mas ver a sua amiga esvaindo-se em sangue na sua frente a paralisou de terror.
Se a Brenda morresse, a polícia não demoraria a chegar.
Perderia o Víctor, perderia os luxos, a vida perfeita que tinha construído à base de mentiras, e terminaria apodrecendo numa prisão.
Com os dedos escorregadios e desajeitados, procurou o celular dentro da sua bolsa.
Discou com urgência o único número que sabia que podia tirá-la de um problema tão grave, rezando para que ele a atendesse. No segundo toque, a linha se abriu.
— Jake... — a voz lhe saiu como um fio quebrado e agudo.
— O que você quer, Melissa? Estou ocupado — respondeu ele do outro lado, com o seu habitual tom áspero.
— Cometi uma loucura, Jake. Você tem que me ajudar, por favor... esfaqueei a Brenda.
Houve um segundo de silêncio na linha, tão profundo que Melissa achou que ele tivesse desligado, antes que Jake explodisse.
— O que você fez? Em que caralhos você estava pensando, Melissa?! — rugiu ele, perdendo por completo a compostura e a frieza que o caracterizavam. — O que essa mulher te fez para que você perdesse a cabeça assim?
— Depois falamos sobre isso! — gritou ela, chorando abertamente por causa do desespero e do medo. — Venha para o apartamento dela, por favor. Ela está perdendo muito sangue, temos que levá-la a um hospital rápido ou ela vai morrer aqui mesmo. Venha rápido, eu te imploro, me ajude.
Jake soltou um palavrão forte baixinho, arrastando as palavras com pura raiva.
— Não toque em mais nada. Já estou indo para aí.
Os minutos que se seguiram foram um martírio.
Melissa caminhava em círculos pela sala, chorando em silêncio, olhando para o corpo de Brenda a cada três segundos para se certificar de que o seu peito ainda subia e descia.
Quinze minutos depois, a porta se abriu de supetão. Jake entrou seguido pelo Mario, um dos seus homens de maior confiança.
Jake deu uma olhada rápida na cena, com o maxilar trincado.
Viu Brenda quase inconsciente no chão e depois Melissa, que parecia um animal encurralado contra a parede.
— Vamos, Mario, não há tempo a perder — ordenou Jake. — Temos que cobri-la muito bem para que não dê para notar o sangue nos corredores. Temos que tirá-la daqui sem que os vizinhos nos vejam.
Mario assentiu sem fazer perguntas. Desdobrou uma manta escura e grossa que tinham trazido preparada especialmente para a emergência.
— Vamos, me ajude a levantá-la com cuidado — disse Mario a Jake.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: ENGANADA PELO MEU MARIDO
Chocada com a farsa da Melissa...
Outro fato, pelo menos eles conversam kkkkkkk se resolvem...
A estória kkkkk tá fluindo pelo menos, e engraçada até. Espero que ela e o marido se resolvam logo...