No segundo seguinte, ele já estava em cima dela, encarando-a com uma postura de dominância absoluta.
— Cora, a família Ribeiro lidera o exército, e o Henrique só se comporta como um rebelde sem causa por ser o queridinho deles. Mas me diga, se vazar um escândalo sobre ele estar tendo um caso com uma mulher casada, você acha que ele continuaria curtindo a vida lá em Nova Iorque numa boa?
Bernardo deu uma risada gélida, as feições contorcendo-se de modo ainda mais cruel:
— Você realmente acredita que a família Ribeiro fecharia os olhos para isso? Que eles deixariam o Henrique arrastar o nome da família na lama?
— Bernardo, você é desprezível e sujo. O Henrique só quis me ajudar! — retrucou Cora, lançando-lhe um olhar furioso.
— Eu sou sujo? E o Henrique tocar na minha mulher, não é ser desprezível? — ele rebateu, aos gritos.
— Seu... — Cora engasgou, sem conseguir formular uma resposta, sufocada pela raiva.
— Vamos voltar. — Bernardo cortou o assunto, não querendo mais discutir sobre Henrique.
Tinha medo de perder totalmente a razão e acabar matando-a ali mesmo.
Para o seu azar, Cora não moveu um músculo, erguendo-se e permanecendo plantada onde estava com pura teimosia.
Bernardo franziu a testa, a impaciência brilhando nitidamente em seus olhos.
Ele entreabriu os lábios para falar, mas, antes que conseguisse emitir qualquer som, ouviu um riso baixo vindo dela. Um riso carregado de deboche.
— Você não pode fazer nada contra o Henrique. — afirmou Cora com convicção. — Afinal, a família Ribeiro é uma força inquestionável por aqui. A coisa que você mais valoriza é a família Ferreira, então, dadas as circunstâncias, você jamais arriscaria o futuro da família Ferreira apenas para massagear o seu ego.
A voz dela era vazia, quase apática. E seu olhar direcionado a Bernardo não transbordava nada além de frieza.
Uma frieza que nascia de uma decepção profunda e absoluta.
— Claro, você acha que me tem nas mãos por causa do Nicolas, não é? — Enquanto falava, Cora mantinha a postura reta e orgulhosa.
O tom de escárnio no olhar dela intensificou-se, mascarando uma resolução de ferro.
— Bernardo, você não me conhece de verdade, e muito menos o Nicolas. Ele sempre foi um garoto apaixonado por esportes radicais. Estar agora preso a uma cama de hospital, lutando para sobreviver, é algo que ele jamais aceitaria. Você também não entende o tamanho do vínculo que existe entre nós. Na minha situação atual, eu não posso ajudá-lo. Se ele realmente partir, sei que não me culpará por isso.
Cora pronunciou cada palavra com uma clareza cortante, encarando-o fixamente, sem desviar os olhos nem por um segundo.
— Mas você... Você precisa desesperadamente deste bebê na minha barriga. Caso contrário, não conseguirá colocar as mãos nas ações da família Pereira. — Ela pisou exatamente onde mais doía, enterrando a faca bem fundo na ferida dele.


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