O problema era, sem dúvida, apenas entre Bernardo e Cora.
Mas agora Adelina tomava toda a culpa para si.
Bernardo sentiu o coração apertar.
Ele sentia que Adelina sempre pensava nele, independentemente da situação.
Cora, por outro lado, passava dos limites.
Além disso, o fato de ter revirado Lagoa Cristalina inteira nos últimos dias e não ter encontrado Cora já o estava deixando no limite de suas emoções.
— Não tem nada a ver com você, não coloque essas ideias na cabeça. — murmurou Bernardo, tentando acalmá-la.
Adelina continuou agarrada a ele:
— Bernardo, pedi para a Dona Oliveira preparar uma canja de galinha para o jantar. Você vem comer comigo?
Antes que Bernardo pudesse responder, seu celular vibrou de repente. Era uma ligação de um dos seus seguranças.
Seu olhar escureceu e ele atendeu imediatamente.
Adelina não disse nada, mas sabia que o telefonema tinha a ver com Cora.
Esse pensamento causou um desconforto imenso em Adelina, embora, superficialmente, seus olhos demonstrassem apenas preocupação com Cora.
— Sr. Pereira, encontramos a sua esposa! Ela está na Avenida Verde Marinho! — a voz do segurança soou apressada do outro lado da linha.
— Estou indo para aí agora mesmo. — respondeu Bernardo, sem hesitar.
Em seguida, ele desligou o telefone, pegou as chaves do carro e saiu apressado.
— Bernardo! — Adelina exclamou, surpresa, fazendo menção de ir atrás dele.
Mas Bernardo foi mais rápido. Sem dar qualquer chance a Adelina, ele já havia entrado no elevador e as portas se fecharam.
Wilson aproximou-se rapidamente:
— Sra. Botelho, eu a levo para casa.
— Tudo bem, obrigada pelo incômodo. — Adelina assentiu, desistindo de segui-lo.


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