— É sério isso?
— Sim, porque quando foram fazer a contagem à noite, perceberam que faltava medicamento. Embora não seja remédio controlado, basta misturá-lo no soro para provocar um problema cardíaco fulminante.
O rosto de Cora ficou completamente pálido.
A única pessoa que lhe veio à mente foi Adelina.
Somente Adelina odiava aquela criança a esse ponto.
Mas Noelia era tão pequena. Como Adelina teria coragem de fazer algo assim?
Porém, Cora lembrou que Adelina não hesitou em esfaqueá-la — quanto mais uma criança indefesa.
Mas ela não tinha provas.
Era impossível acusar Adelina.
Além do mais, ninguém ali acreditaria em uma única palavra sua.
O controle emocional de Cora ruiu de vez.
Sem pensar duas vezes, ela saiu correndo da sala de descanso.
As enfermeiras do lado de fora ficaram perplexas ao vê-la sair daquele jeito.
— Sra. Pereira! — Elas tentaram segurá-la.
Mas Cora estava com muita força, e elas não conseguiram contê-la.
Cora correu pelos corredores em direção ao centro cirúrgico.
A cirurgia de Noelia havia acabado de terminar.
Cora viu Bernardo conversando com o médico; ambos com expressões extremamente sérias.
— Sr. Pereira, a cirurgia não teve o sucesso esperado. Embora a criança ainda esteja viva, ela provavelmente não passará do período crítico. O senhor deve se preparar. — O médico suspirou.
Esse resultado já era esperado por todos.
A piora repentina da criança os havia pego de surpresa.
A cirurgia era a única opção.
Não operar significava apenas esperar a morte.
Mas, no fim, o resultado era praticamente o mesmo.
Foi uma última e desesperada tentativa.
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