No fim, Cora acabou desistindo.
Ela estava exausta demais.
Bernardo acompanhou Cora até o quarto antes de soltar a mão dela.
Cora se deitou na cama e, em poucos minutos, adormeceu.
Bernardo só se virou para sair depois que teve certeza de que Cora estava dormindo profundamente.
Mas o Bernardo de agora, além de impedir que Cora se comunicasse com o mundo exterior.
Não restringia as ações dela dentro do hospital.
Pelo menos, isso dava a Cora um pingo de esperança.
Sua maior expectativa todos os dias era poder ver a filha.
Mesmo que fosse apenas através de um monitor, ela já se sentia satisfeita.
No entanto, a cirurgia de Noelia continuava sendo adiada.
Um, dois, três dias de atraso.
Isso fez com que o coração de Cora, que antes havia se acalmado, voltasse a ficar apertado.
Ela quis perguntar ao médico várias vezes.
Mas o médico nunca lhe dava uma resposta clara.
Cora sabia que aquilo era uma ordem de Bernardo.
Ainda assim, não conseguia esconder a ansiedade que sentia por Noelia.
Quanto menos ela sabia, mais queria descobrir.
O pressentimento ruim em seu coração só se tornava mais forte.
Mas Cora também não conseguia decifrar exatamente o que estava acontecendo.
Ela sabia que daria as suas próprias córneas em troca da retirada do processo.
Mas por que Bernardo não havia feito nenhum movimento ainda?
A atitude dele em relação a Noelia também a deixava confusa.
Acabou que, em meio a essas idas e vindas mentais, Cora se torturou até não aguentar mais.
Ela apenas forçava uma aparência de calma.
Ir à ala de pediatria todos os dias havia se tornado parte da rotina fixa de Cora.
Se Bernardo estivesse no hospital, ele a acompanhava.
Caso não estivesse, Cora ia sozinha.
Contudo, Cora sabia muito bem que os seguranças a seguiam discretamente o tempo todo, sem nunca sair do seu encalço.
Seria impossível para ela tentar qualquer coisa.
Além disso, ela ainda era considerada uma assassina.

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