O assistente sentiu um calafrio percorrer sua espinha ao ouvir aquilo.
Mesmo assim, assentiu rapidamente:
— Entendido.
Sem hesitar, ele deu as costas e saiu do quarto.
Adelina permaneceu ali, observando da janela enquanto Bernardo levava Cora para dentro.
Ela sequer tomou a iniciativa de ligar para Bernardo para cobrar uma posição sobre as córneas.
Em seu olhar baixo, havia apenas perversidade e rancor.
Dentro do quarto, o silêncio era assustador.
Enquanto isso...
Bernardo já havia retornado com Cora ao quarto dela.
O médico apareceu para a avaliação de rotina.
Cora mantinha sua atitude apática.
Mas colaborou ativamente durante toda a avaliação física.
Afinal, sua única motivação era ter a chance de ir embora com a filha.
Para isso, precisava, no mínimo, manter-se com saúde.
— Como está o quadro geral dela? — perguntou Bernardo ao médico, em voz baixa.
O médico explicou:
— O quadro da Sra. Pereira estabilizou bastante nos últimos dias, o senhor não precisa se preocupar.
Bernardo murmurou concordando.
Sem mais delongas, o médico virou-se e saiu.
Bernardo acompanhou o médico com o olhar e ficou em silêncio por um momento.
Através do vidro da porta, ele viu policiais fardados do lado de fora.
Bernardo não demonstrou nenhuma reação e, da posição onde Cora estava na cama, era impossível para ela notar a movimentação.
— Se estiver cansada, durma um pouco, está bem? — disse Bernardo, num tom ameno, virando-se para Cora.
Cora não respondeu. Apenas encostou-se no travesseiro e fechou os olhos, fingindo dormir.
Se pudesse evitar o convívio com Bernardo, ela com certeza escolheria não vê-lo.
Estar na presença daquele homem gerava uma pressão insuportável.
Era uma rejeição instintiva de todo o seu ser.
Provavelmente porque o amor havia morrido, e ela se recusava a ser controlada por ele novamente.
Com o olhar denso, Bernardo ficou observando o rosto de Cora. Seus lábios se moveram levemente.

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