Ela já não tinha quase nenhuma força.
Mesmo assim, diante daquela situação, Cora conseguiu terminar de falar tudo o que queria.
— Antes, eu pensava que não importava quem tentasse me expulsar, eu jamais iria embora. Acreditava que, se eu me agarrasse a esse amor, uma hora a tempestade passaria e o sol voltaria a brilhar.
— Mas agora eu estou exausta. Eu não quero mais essa relação, não quero mais insistir nisso.
Depois de dizer isso, Cora se calou.
Bernardo também não disse nada.
Seus olhares se cruzaram no ar.
Nenhum dos dois ousou quebrar aquele silêncio.
No entanto, Cora estava surpresa.
Não esperava que Bernardo dissesse algo assim.
Parecia ter se lembrado de algo.
Um leve brilho de esperança surgiu no fundo de seus olhos antes de voltar a encarar Bernardo.
— Você acreditou em mim? — perguntou Cora.
Acreditou que ela não havia atacado Adelina.
Acreditou que fora Adelina quem a havia provocado primeiro.
Mas, diante da pergunta de Cora, Bernardo não respondeu.
Cora soltou uma risada amarga, zombando de si mesma.
Como Bernardo acreditaria nela?
Se fosse para acreditar, não teria esperado até agora.
O coração dele pertencia apenas a Adelina, e não a ela.
Com o olhar baixo, Cora ficou ainda mais quieta.
Pois ela sabia muito bem que Adelina queria as suas córneas.
Se Bernardo queria a sua cooperação, certamente haveria uma condição de troca.
Se ela doasse as córneas...
Como poderia levar sua filha embora?
Ela se tornaria uma pessoa com deficiência, incapaz de enxergar.
Ah...
Pensando nisso, uma tristeza profunda a invadiu.
Bernardo sabia que Cora estava se referindo à acusação de assassinato.
Ele não respondeu.
Porque todas as provas apontavam para Cora.
Ele havia mandado Wilson investigar, mas nada mais detalhado foi encontrado.
Todas as câmeras de segurança só mostravam o vídeo daquele único ângulo.
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