— Bernardo, se eu pudesse voltar no tempo, acho que não teria feito a mesma escolha que fiz no passado. — Cora terminou de falar em um tom sereno.
Quando a Família Fernandes entrou em colapso, ela não precisava ter implorado à Família Pereira.
Ela poderia ter procurado Henrique, ou Daniel, e até mesmo ter lutado de frente.
Porque ela sabia muito bem que, com a sua capacidade, mais cedo ou mais tarde conseguiria reerguer o nome da família.
O problema foi que a Família Fernandes foi gananciosa, eles queriam o status e a glória.
Nicolas acabou se tornando o seu ponto fraco.
E, além de tudo, havia o amor que ela sentia por Bernardo.
Tudo isso se somou e fez com que Cora seguisse aquele caminho sem olhar para trás.
No fim das contas, ela mesma se jogou num abismo sem fim, de onde não tinha mais como escapar.
O problema é que, neste mundo, não existe "e se".
Tudo já estava predestinado.
A convicção nas palavras de Cora fez com que o semblante de Bernardo se fechasse.
Ela não desviou o olhar: — Bernardo, eu estou exausta.
A frase foi dita com tranquilidade, mas trazia a postura de alguém que já havia desistido de tudo.
A raiva que Bernardo estava suprimindo voltou a subir.
Ele se lembrou de Daniel invadindo o hospital momentos antes.
Lembrou-se do passado entre ele e Cora.
E do carinho que Cora um dia demonstrou por ele.
Agora, não restava mais nenhum rastro daquilo.
Bernardo deu uma risada amarga: — Cora, como você pretende ir embora? Não se esqueça de que você carrega uma morte nas costas.
— Para onde você poderia ir? Desse jeito, você ainda acha que vai conseguir ver a sua filha?
— Adelina entrou com um processo. Assim que você colocar os pés para fora dessa UTI, será levada presa, você tem noção disso?
Bernardo abaixou o tom de voz, lembrando Cora da realidade a cada palavra.
Cora continuou quieta.
Não demonstrou nenhuma reação, nem um pingo de emoção.
Por um instante, Bernardo sentiu que...
Cora realmente não se importava mais com nada.
Foi só quando Bernardo estava quase perdendo a compostura.
Que Cora finalmente falou num tom vago: — Contanto que você me deixe ver a minha filha, e me deixe saber que ela ainda está viva, está ótimo.
Ela parecia ter deixado de se importar completamente consigo mesma.
— Mesmo que eu seja presa, pelo menos eu terei paz de espírito.



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