Quando o bebê foi retirado da sala para os procedimentos de emergência.
Bernardo lançou um olhar rápido.
Era tão minúscula.
Tão pequena que parecia caber na palma de uma mão.
Até mesmo a manta em que a envolveram estava encharcada de sangue.
Médicos e enfermeiros corriam apressados em direção à UTI Neonatal.
Bernardo ficou parado, cravado no chão.
Ele pensou que iria segui-los.
Afinal, aquela criança era a chave para a transferência das ações.
Mas, no fim, ele não o fez.
Provavelmente porque Cora ainda estava dentro da sala de cirurgia.
— Não poupem esforços, dinheiro ou pessoal. Mantenham-na viva. — Bernardo ordenou friamente.
Ele se referia à criança.
O médico assentiu.
Bernardo assinou o termo de consentimento, e a recém-nascida foi levada às pressas.
Temendo o pior, Horácio acompanhou a equipe rapidamente.
O advogado foi logo atrás.
Do lado de fora da sala de cirurgia, sobrou apenas Bernardo, aguardando silenciosamente por Cora.
O tempo se arrastou até que a luz indicadora da cirurgia finalmente se apagou.
O médico saiu.
Bernardo olhou por cima do ombro do médico, mas não viu Cora.
— Sr. Pereira, o quadro da Sra. Pereira não é animador. Ela será levada para a UTI. A hemorragia foi extremamente severa; conseguimos salvar o útero por muito pouco. Ela não apresenta nenhum desejo de viver, parece que desistiu por completo.
O tom do médico era grave: — Para um paciente, esse é o pior cenário possível.
Bernardo sabia muito bem.
E ele sabia melhor ainda o porquê de Cora não querer lutar pela vida.
Suas mãos, enfiadas nos bolsos da calça, cerraram-se em punhos.
Durante todo o tempo, ele permaneceu tenso.
— A Sra. Pereira terá que ficar na UTI por cerca de três dias. Ela não pode sofrer novos episódios de sangramento nem ser submetida a qualquer estresse, até que seus sinais físicos e emocionais se estabilizem. — O médico explicou de forma direta.



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