Era uma postura um tanto constrangedora, mas ao mesmo tempo extremamente ambígua.
Quando Cora se deu conta da situação, percebeu que o olhar de Bernardo estava ficando cada vez mais escuro e intenso.
Ele a encarava fixamente.
Eles estavam juntos há muitos anos.
Cora conhecia perfeitamente o desejo oculto naqueles olhos.
Ela moveu os lábios levemente.
Bernardo já havia se inclinado sobre ela, apoiando as mãos nas bordas da cama.
Para evitar colocar qualquer peso sobre a barriga de Cora.
O grito repentino também havia sido ouvido por Adelina.
O rosto dela mudou do outro lado da linha, e ela perguntou imediatamente: — Bernardo, aconteceu alguma coisa?
Ela ficou tensa.
O primeiro pensamento que lhe veio à mente foi Cora.
Bernardo não havia voltado para casa, e aquele grito só podia ser dela.
Assim como Cora conhecia Adelina perfeitamente.
Adelina também conhecia Cora muito bem.
A expressão dela foi se tornando cada vez mais contorcida.
Mas, na superfície, Adelina manteve a postura, fingindo não ter percebido.
— Não foi nada, não pense bobagens. Mais tarde eu passo aí, está bem? Comporte-se. — Bernardo a bajulou, tentando acalmá-la.
O ritmo de sua fala permanecia estável, mas a impaciência começou a transparecer.
Enquanto isso, no instante em que Bernardo firmou os braços para se apoiar, Cora conseguiu se desvencilhar rapidamente.
Ele lançou um olhar sombrio para ela.
Cora, no entanto, sequer olhou para trás e caminhou em direção à porta.
— Está bem... — A voz do outro lado da linha era passiva.
Os lábios finos de Bernardo se moveram levemente.
Nesse exato momento, o celular recebeu outra chamada.
Ele falou de maneira indiferente: — É uma ligação do Wilson, vou desligar.
Sem esperar resposta, Bernardo encerrou a chamada.
Ele atendeu o telefone de Wilson com a mesma frieza de sempre.



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