Estando na reta final da gravidez, Cora mal conseguia suportar tamanha tensão física.
Somando-se aos interrogatórios implacáveis e constantes da polícia.
Seus nervos estavam extremamente à flor da pele.
E ainda havia o abuso psicológico que Adelina exercia sobre Cora desde o seu retorno.
Tudo isso a estava esmagando, pouco a pouco.
Cora nem sabia mais quanto tempo conseguiria aguentar.
A falta de controle de Bernardo fez com que o bebê em seu ventre começasse a se agitar de forma preocupante.
As bolhas de queimadura, que não haviam sido tratadas de imediato, pioravam a situação.
E agora, doíam até os ossos.
Bernardo notou isso perfeitamente.
Uma emoção complexa brilhou fugazmente em seus olhos, mas foi rapidamente encoberta.
Ele não disse nada, mas a força em suas mãos ficou ainda mais intensa.
Foi só quando Cora não aguentou mais e soltou um grito de dor aguda.
Que Bernardo finalmente pôs um fim àquilo tudo.
Ele se levantou, ofegante, e olhou para Cora com uma expressão sombria.
Cora não estava em melhor estado.
Na luta final, suas roupas haviam deslizado pelos ombros.
Seus cabelos estavam bagunçados, e ela parecia vulnerável e deplorável.
Mas o olhar que Cora lançava a Bernardo já estava impregnado de puro ódio.
Sem piscar.
— Você me odeia? — Bernardo perguntou com frieza.
Ele se aproximou de Cora, olhando-a de cima, exigindo uma resposta.
Cora não respondeu.
Mas aquela atitude já dizia tudo.
Bernardo zombou:
— Cora, mesmo que me odeie, você não pode se livrar de mim. A menos que eu me canse de você.
— Bernardo, nós tínhamos um acordo. Depois que o bebê nascesse... — Cora tentou lembrá-lo.
Bernardo a interrompeu abruptamente:
— Eu não quero.
Dominador e completamente irracional.
O rosto de Cora empalideceu levemente.
Bernardo continuou a encarando friamente.


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