Bernardo já havia se sentado ao lado de Adelina.
Deu uma olhada nos pratos, mas não disse nada.
Pelo menos, aquelas eram as coisas que ele gostava.
— Bernardo, eu ainda estou no resguardo. O médico disse que não posso comer coisas gordurosas — Adelina falou, parecendo um pouco constrangida.
Mas qualquer um que prestasse atenção saberia que Adelina estava dizendo bobagens.
Tudo ali eram os pratos favoritos de Bernardo.
E Bernardo nunca gostou de comida com temperos muito fortes ou pesados.
Portanto, era impossível que a comida estivesse gordurosa.
Até mesmo do caldo de carne, Cora tinha o hábito de usar papel-toalha para retirar a gordura da superfície.
As verduras eram, em sua maioria, preparadas no vapor ou refogadas levemente.
Toda a carne passava por uma fervura prévia para remover as impurezas antes de ser preparada.
Então, Cora conhecia bem a intenção de Adelina.
Ela estava apenas procurando problemas onde não existiam.
Porque agora todos na Família Pereira estavam do lado de Adelina.
Com pena porque Adelina havia perdido o bebê.
O filho de Adelina era muito esperado pela Família Pereira.
Enquanto a criança que ela carregava na própria barriga não passava de uma ferramenta.
Sabendo muito bem dessa situação, Cora não disse nada.
Falar seria apenas arrumar problema à toa.
Ela permaneceu de pé em silêncio, sem sequer mudar muito a expressão.
— Deixe que eu resolvo isso, está bem? — Bernardo falou baixinho, tentando confortar Adelina.
Adelina olhou para Bernardo com uma expressão inocente, como se não soubesse o que ele pretendia fazer.
Em seguida, o olhar afiado de Bernardo caiu sobre Cora.
— Você não sabe que mulheres no resguardo não podem comer comida pesada? — Bernardo repreendeu Cora severamente.
Cora não retrucou, permaneceu em silêncio.
Essa atitude de Cora, ironicamente, fez Bernardo franzir levemente a testa.
Ele não conseguia decifrar o que se passava na mente dela.


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