— Cora, por que você gosta tanto de atuar? — Bernardo se abaixou pela metade, usando um tom irônico com ela.
— Você não ficava mexendo com essas sucatas todos os dias? E agora não consegue nem desmontar uma cama? Eu lembro que você tinha muita facilidade para consertar as cercas do jardim lá fora da mansão, não é? — Bernardo falou sem nenhuma cerimônia.
Aquelas eram coisas completamente diferentes.
Mas Cora não tinha a menor vontade de explicar.
Seu olhar para Bernardo era de total frieza.
Ela sabia que ele não a deixaria em paz tão facilmente.
Então, Cora não se importava.
Ela voltou a abaixar a cabeça para desmontar a cama.
Embora, obviamente, não estivesse conseguindo.
Ainda assim, ela se recusava a ceder e a se render.
Embora suas mãos doessem terrivelmente.
Mesmo assim, ela não tinha a intenção de parar.
De repente, o som da furadeira sumiu.
Cora levantou a cabeça, surpresa.
Bernardo havia chutado o fio de energia, desligando-o.
— Com essa sua lentidão, você planeja não deixar a Adelina descansar esta noite? — Bernardo a repreendeu friamente.
— É a única velocidade que eu tenho — Cora respondeu calmamente.
O olhar de Bernardo pesou sobre Cora:
— Cora, pare de fazer cena na minha frente. Não se esqueça, você é uma assassina. Você causou a morte do bebê da Adelina, tudo o que você fizer para pagar por isso é pouco.
— Eu não fiz isso — Cora, sobre esse ponto, ainda se mantinha orgulhosa e não admitia.
O rosto de Bernardo ficou ainda mais sombrio.
A atmosfera entre os dois se tornou explosiva em um instante.
O mordomo, que observava do lado de fora, suava frio.
Ele tentou avisar Cora com o olhar para que não confrontasse Bernardo.
Cora o ignorou, com uma expressão apática.
Bernardo puxou Cora rudemente para cima.
Cora se levantou de forma passiva, suas mãos ainda protegendo a própria barriga.
A voz sombria de Bernardo soou em seu ouvido:


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