Até a criatura mais mansa, quando acuada, morde para se defender. E Cora era um ser humano no limite.
— Não tem medo de que aquela donzela sensível não aguente o baque e perca o juízo? — Ela sabia exatamente onde ferir o ego dele.
Como esperado, a cor sumiu do rosto de Bernardo em um piscar de olhos, e a sua voz desceu alguns tons, mascarando o fúria.
— Ela está de resguardo, recuperando o corpo. Você não passa de um objeto conveniente para aliviar a tensão. Acha mesmo que ela se importaria? Ela não é como você, é muito mais madura e compreensiva — Bernardo afirmou friamente.
Aquela provocação reascendeu o instinto animalesco dele com força redobrada.
A cada frase, cuspia humilhações para tentar despedaçá-la de vez.
Cora já estava anestesiada contra isso.
Ela pensou que o golpe doeria mais.
Mas a essa altura, a letargia tomava conta da sua mente.
A sua maior angústia era a segurança do bebê no seu ventre.
Pois percebera que os movimentos da criança haviam diminuído de forma drástica.
Ela tremia de medo que algo grave acontecesse.
Todo o seu pensamento estava fixo na vida da criança.
Bernardo, claro, notou que a mente de Cora estava divagando.
E quanto mais ela se ausentava dali, mais selvagem ele se tornava.
— O que foi? Ainda pensando no Daniel? — Seu olhar se transformou em blocos de gelo.
Seus dedos finos e rígidos cravavam-se impiedosamente nas laterais de Cora.
Mas, num sobressalto impetuoso, Cora reuniu o que lhe restava de forças e empurrou Bernardo para longe.
O rosto dele se deformou de choque.
Mas, rápido como um bote de serpente, impediu qualquer chance de fuga.
Desta vez, Bernardo havia se despido de qualquer freio moral ou moderação.
A criança, que estava estranhamente quieta, agitou-se violentamente no útero.
Como mãe, Cora sentiu instintivamente que o bebê estava em apuros.
O terror de perdê-lo dominou os seus sentidos.
Mas o seu corpo não tinha forças para parar o ímpeto bestial dele.
Levada ao desespero, Cora abandonou o orgulho e suplicou:
— Não... Bernardo, pare, por favor... O bebê... Pense no bebê...
Bernardo a ouviu.
Ao olhar para baixo, viu o pânico em estado puro enchendo os olhos dela.
Somente ao vê-la implorar daquele jeito é que o seu prazer cruel aflorou.
A crueldade implacável de quem detém o poder esmagador não lhe permitia dar qualquer folga a Cora.
Quanto mais ela implorava, mais ele exigia a submissão.

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