Havia o amuleto de proteção que ela mesma fora buscar, transformado em uma peça decorativa, com o nome e a data de nascimento de Bernardo gravados.
Havia o bordado em ponto cruz, que Cora costurara ponto por ponto, guiando-se por uma fotografia dos dois.
Tudo porque ela e Bernardo não tinham retratos juntos.
Ela guardou cada item, um por um, como se estivesse escondendo a fundo os sete anos de sentimentos que viveram.
Mas, mesmo assim, Bernardo não deu trégua a Cora.
Ele observava com um olhar gélido, pronunciando cada palavra com uma frieza implacável:
— Destrua tudo. Não quero ver nenhum lixo na mansão dos Pereira.
Todo o afeto de Cora havia se transformado em lixo.
Cora apenas abaixou a cabeça e encarou os objetos, sem sequer a intenção de questioná-lo.
Ela fechou os olhos e, em seguida, tirou uma tesoura da caixa de ferramentas.
Eram mimos que ela havia preparado, ela havia preparado com o coração transbordando de alegria para decorar o quarto do casal.
Aos poucos, todas foram cortadas em pedaços por Cora.
Ela estava um tanto entorpecida.
No final, suas mãos começaram a doer, os músculos latejando pelo esforço.
Mesmo assim, Cora não parou.
Em sua mente, aquela atitude era a sua forma de se despedir do passado.
De cortar, de uma vez por todas, qualquer laço que ainda a prendesse a Bernardo.
Mas, afinal, eram sete anos de história.
Era impossível para Cora permanecer totalmente indiferente.
Seus olhos ardiam, marejados por uma névoa de lágrimas que já se tornava difícil de conter.
Ela respirou fundo, forçando-se a não chorar.
Logo, o piso de madeira tornou-se um caos de retalhos.
Bernardo ficou de pé ao lado durante todo o tempo, apenas observando, sem arredar o pé.
Com uma das mãos no bolso, a expressão sombria em seu rosto não suavizava de jeito nenhum.
Porque Cora estava calma demais.
Calma como alguém que havia perdido a capacidade de sentir.
Seu rosto esteve inexpressivo durante todo o processo.
Bernardo, é claro, sabia o quanto Cora o havia amado ao longo daqueles sete anos de casamento.
Para ela, ele fora o mundo inteiro.
Mas agora, ver o semblante apático de Cora.
E vê-la destruindo daquela forma coisas que um dia havia valorizado tanto.


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