Havia um tom de hesitação e cuidado na voz de Adelina, como se estivesse testando o terreno.
Bernardo abaixou a cabeça e beijou delicadamente a testa dela:
— Claro que não. A única coisa que importa para mim é que você esteja ao meu lado, sã e salva.
Ao ouvir aquilo, um sorriso de genuíno alívio floresceu nos lábios de Adelina.
Doce e radiante.
No entanto, num ângulo que ninguém mais podia ver, o brilho em seus olhos era de pura malícia.
Suas mãos apertaram o abraço ao redor de Bernardo, enquanto ela se declarava.
— Bernardo, eu te amo tanto... não sei viver sem você. — Cada palavra soava carregada de extrema devoção.
Bernardo não soltou Adelina.
Mas, sem que ele pudesse controlar, a imagem que invadiu sua mente foi a de Cora.
Solitária e orgulhosa.
O que ele vinha reservando para Cora não era carinho, mas sim uma frieza cortante.
Independentemente do que acontecesse, Cora era obrigada a enfrentar tudo sozinha.
O desprezo de Renata Fogaça, as armadilhas da Família Pereira, e a sua própria indiferença implacável.
Até mesmo durante a gravidez, Cora passou a maior parte do tempo isolada.
Comparada a Cora, Adelina tinha um exército de pessoas à sua volta para lhe fazer companhia.
Se houvesse uma disputa de quem merecia mais pena, Cora seria muito mais digna disso do que Adelina.
O Bernardo de antes jamais teria se importado com esses detalhes.
Mas agora, essas memórias o assombravam, batendo à porta de sua consciência sem parar.
Bernardo franziu a testa, confuso sobre quando exatamente começara a prestar tanta atenção em Cora.
Esses pensamentos o enchiam de conflito e relutância.
Somando-se a isso a atual situação de Adelina, uma pesada nuvem de culpa pairava sobre ele.
No fim, ele sufocou à força aquela pequena faísca de empatia que nascia em seu peito por Cora.
Recusando-se a dar qualquer chance de que ela se transformasse em um incêndio.
— Bernardo? — A voz de Adelina de repente o chamou, trazendo-o de volta à realidade.
Ela percebeu que a mente dele estava vagando longe.
Qualquer mínima alteração no humor de Bernardo era um livro aberto para ela.
Sem aguentar a curiosidade, ela chamou pelo seu nome.
Bernardo abaixou o olhar e encontrou o rosto de Adelina:
— Hum?
— No que você estava pensando? — Ela perguntou em um tom sereno.


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