Cora soltou um "ah" e assentiu, sem negar nem confirmar.
De repente, o ar se preencheu com um leve toque de frieza.
Foi Bernardo quem quebrou o silêncio:
— Vá dormir.
Ele não tinha mais nada a dizer.
E Cora também não fez questão de puxar assunto.
Sem saber se era por cansaço ou por outro motivo, logo após deitar, Cora adormeceu.
Depois de Bernardo confirmar que Cora estava em um sono profundo.
Ele se levantou da cama sem fazer nenhum barulho.
Mas não foi a lugar nenhum, apenas ficou de pé perto da janela de vidro.
Daquele ângulo, ele ainda conseguia ver Adelina.
Adelina não demonstrava a menor intenção de ir embora.
A chuva no bairro Lagoa Cristalina estava cada vez mais forte.
O guarda-chuva que o mordomo havia entregado mais cedo já não servia para quase nada.
A chuva caía na diagonal, atingindo o corpo dela como se fossem navalhas.
Nem se fala de Adelina, até mesmo Bernardo, que a observava de pé perto da janela, sentia dor só de olhar.
Mas ele sabia muito bem que aquilo era um jogo de forças.
O embate entre ele e Adelina já estava durando muito tempo.
O que significava que essa disputa de resistência também ficaria cada vez mais prolongada.
Se alguém cedesse primeiro agora, essa pessoa passaria o resto do tempo cedendo infinitamente no futuro.
Sua personalidade jamais permitiria que ele se colocasse em uma posição tão submissa.
Portanto, Bernardo não se mexeu.
A tela do celular dele acendia de vez em quando.
Porém ele tinha deixado no modo silencioso.
Então o quarto continuava completamente quieto.
Mas eram sempre ligações de Adelina.
E Bernardo não atendeu a nenhuma.
Mas ele não podia negar que, com essa atitude, Adelina o havia encurralado de verdade.
Foi a primeira vez que ele não conseguiu prever quem seria o vencedor daquele embate.
As mãos de Bernardo, que estavam nos bolsos da calça, gradualmente se fecharam em punhos.
O brilho em seus olhos tornou-se ainda mais sombrio.
O silêncio na suíte master era assustador.

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