Ela sequer conseguiu se conter, gritando alto:
— Bernardo!
Aquele volume fez com que as pessoas ao redor virassem para olhar, mas ninguém fez qualquer movimento.
Eles abaixaram a cabeça e começaram a sussurrar entre si.
Era como se a glória que Adelina um dia ostentou ao lado de Bernardo houvesse se transformado agora em uma vergonha absoluta.
Ainda assim, Bernardo continuou a ignorá-la completamente.
Ele parou diante de Cora, com as sobrancelhas franzidas, e seu tom de voz era perceptivelmente carinhoso:
— Por que demorou tanto no banheiro? — Bernardo perguntou de forma direta.
— Não estava me sentindo muito bem, por isso demorei um pouco mais. — Cora respondeu friamente.
A própria atitude de Cora em relação a Bernardo parecia apática.
Para os que assistiam de fora, parecia que era Bernardo quem estava tentando agradar Cora.
Assim, as palavras de Cora fizeram Bernardo responder imediatamente:
— O que você está sentindo? Vou levar você ao hospital agora mesmo.
Cora apenas o encarou em silêncio, com um rastro de escárnio brilhando em seus olhos.
Ela sequer tentou esconder.
Ela sabia que Bernardo estava atuando, usando-a apenas para provocar Adelina.
Mesmo assim, na superfície, Cora continuou cooperando calmamente.
Sua voz soou exatamente como a de alguém que é muito mimada:
— Tudo bem.
Bernardo acenou com a cabeça e passou o braço em volta de Cora com naturalidade.
Os dois começaram a andar.
— Bernardo! — Adelina perdeu o controle e caminhou apressada em direção a ele.
Por causa da pressa, ela chegou a tropeçar.
Horácio Villas se aproximou apressado, tentando amparar Adelina.
Mas Adelina o empurrou.
Suas mãos já agarravam o braço de Bernardo.
Ela já não se importava com sua imagem ou com a própria dignidade.
Só havia um pensamento em sua mente: ela precisava segurar Bernardo.

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