Provavelmente por estar entrando na reta final da gravidez, a frequência com que Cora ia ao banheiro havia aumentado.
Isso também afetava significativamente o seu sono.
Mas Cora não esperava encontrar Adelina e Bernardo no corredor do banheiro.
Ela pensou que o mundo era pequeno demais para quem não se suporta.
Ela ficou parada onde estava, imóvel.
Como os dois bloqueavam o caminho, ela não podia avançar nem recuar.
Só lhe restava esperar passivamente.
E o olhar de Cora não demonstrava muita emoção, apenas observava silenciosamente a confusão entre os dois à sua frente.
— Bernardo, você realmente vai me ignorar? Eu voltei. — Adelina segurou a mão de Bernardo com uma expressão de mágoa.
Seus olhos estavam marejados enquanto ela o encarava, parecendo prestes a chorar a qualquer momento.
Esse jeito da Adelina sempre acabava amolecendo o coração do Bernardo.
Mas agora, Bernardo parecia indiferente, apenas a observava com frieza.
Adelina sentiu um aperto de pânico no peito e deu um passo instintivo para mais perto.
— Bernardo, fala comigo, por favor? Nesses dias, eu senti tanto a sua falta, e o nosso bebê também. — A voz de Adelina soou ainda mais sofrida.
— Eu não queria ter demorado a voltar, eu só não tive escolha... — Adelina disse, mordendo o lábio.
Ela se aproximava cada vez mais de Bernardo, quase se colando ao corpo dele.
Bernardo parecia continuar impassível.
Adelina ficou desesperada.
Lágrimas grossas rolaram por suas bochechas.
Suas mãos delicadas abraçaram Bernardo por conta própria.
— Bernardo, por favor, não fique bravo comigo. Fala comigo, vai? — Adelina continuou a implorar.
— Falar o quê? — Após um longo tempo, Bernardo finalmente abriu a boca.
Um traço de alegria surgiu nos olhos de Adelina:
— Bernardo, você quer falar comigo! Você não está mais bravo, não é?
Bernardo voltou a ficar em silêncio.
Os dois estavam em um impasse.
Bernardo conhecia Adelina bem demais.

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